Sidney Cerqueira e Tutu Sousa expõem “Aguarela Café” – O quotidiano de Cabo Verde e Guiné-Bissau

Os artistas plásticos Sidney Cerqueira e Tutu Sousa apresentam na Livraria Nho Eugénio, na Cidade da Praia, uma exposição de pinturas intitulada “Aguarela Café”. Esta mostra dupla que estará patente a partir desta sexta-feira, 3, até o próximo dia 17, retrata o quotidiano de Cabo Verde e Guiné-Bissau através de um passeio pelo mundo da música e uma homenagem às mulheres.

Sidney Cerqueira, guineense, e Tutu Sousa, cabo-verdiano, resolveram juntar para transmitirem uma mensagem do que se passa nos dois países irmãos, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Dessa parceria resulta uma exposição colectiva, a acontecer de 3 a 17 de Fevereiro, na Cidade da Praia, destes países que têm muito em comum. “Um passeio pelo mundo da música e uma forte homenagem às mulheres. Duas linguagens e visões diferentes”, diz Sidney Cerqueira.

Este guineense começou a pintar em 2004 e desde então não parou de conquistar o mundo com os seus quadros. Apesar de se dedicar às artes plásticas, tem uma formação de base ligada às letras. Depois de experimentar várias técnicas, que vão desde o carvão ao óleo sobre tela, Sidney tem hoje uma forma particular de criar a sua arte. Pela primeira apresenta trabalhos em aguarela. “Sempre pintei com óleo e acrílico. A aguarela era um mundo apetecível e intimidante. Finalmente tive a coragem de o abordar. Comecei a pintar com essa tinta há mais ou menos 1 mês”, revela.

Sidney Cerqueira carrega na alma o seu o país e nos quadros tenta transmitir uma Guiné-Bissau da arte, da cultura, da música. A pintar desde 2004, hoje já é uma referência para muitos novos artistas e as suas exposições já podem ser consideradas um sucesso. “Com os meus quadros tento dizer ao mundo que a Guiné não é só droga ou corrupção”, confessa.

Sidney sempre desenhou, desde criança, com carvão, mas a pintura apareceu mais tarde. Sempre inovando a sua técnica, há um mês atrás começou a fazer trabalhos com aguarela e o primeiro contacto, diz, “foi surpreendente”. “Fiquei maravilhado com o resultado. Manusear a aguarela é muito diferente do que estou habituado. É mais diluída e seca muito depressa. Sei que falta muito para aprender nesse domínio mas com o tempo, penso que vou conseguir”, garante.

Mulher e música

Já o artista plástico cabo-verdiano Tutu Sousa nasceu na ilha de S. Vicente e mudou-se para Santiago ainda criança. Aqui interessou-se e iniciou o seu percurso nas artes, tendo já um longo currículo onde constam várias formações em artes gráficas e artes plásticas, exposições conjuntas e individuais (algumas das quais no estrangeiro, em países como a Holanda, Alemanha e os EUA). Desta feita vai apresentar quadros feitos com café, uma técnica inovadora, muito criativa. “O efeito é extraordinário”, assegura.

Começou a pintar em 1990, com 16 anos, mas o seu primeiro passo com o café foi em 1995. “Estudava ainda em Portugal e essa experiencia foi também surpreendente. Foi num pequeno incidente com o café que caiu num trabalho escolar e peguei num pincel para corrigir. Passado alguns anos de experiencia, divulguei a primeira mostra em 2007 nos EUA e em 2008 na Cidade da Praia. Em 2008 apresentei uma nova experiencia, a mistura do Café e a Tintura mercurocromo”, conta Tutu Sousa.

Hoje, conta, trabalha o seu estilo que normalmente apresenta nas telas e murais nessa técnica do café. “Navego no quotidiano nacional, falo da mulher e da música. É o que vou apresentar nessa exposição”, acrescenta. Para além da pintura, este artista também explora a escultura em madeira, gesso e pedra e artes manuais usando materiais como latas e arames. Alguns exemplos do seu trabalho podem ser vistos em vários pontos da Cidade da Praia, como é o caso do Aeroporto Internacional Nelson Mandela.

Nesta exposição “Aguarela Café”, vão estar patentes 16 quadros, sendo oito em aguarela do Sidney Cerqueira e oito em café/tintura de Tutu Sousa. Esta mostra é uma iniciativa dos dois artistas em parceria com a Livraria Nho Eugénio.

António Neves