INPS vai avaliar com maior rigor a carteira de investimentos

O Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) vai passar a avaliar, “com maior rigor”, os investimentos que faz em outras entidades e vai tentar recuperar o máximo dos 920 mil contos em aplicações no Novo Banco.

Na sequência da resolução financeira do Novo Banco, o Conselho Directivo do INPS esteve hoje reunido para analisar os investimentos da instituição. No final da reunião, Eugénio Inocêncio, porta-voz do Conselho Directivo do INPS, garantiu que as prestações sociais pagas mensalmente pela instituição estão asseguradas e que os contribuintes podem ficar tranquilos.

Eugénio Inocêncio diz que o Conselho Directivo não foi informado da situação delicada do Novo Banco e nem dos aumentos de capital, mas deixa uma “mensagem de confiança” de que o caso é uma excepção no contexto geral da carteira de investimentos e que a situação financeira do INPS permanece “estável”.

O INPS é o segundo maior accionista do Novo Banco, a seguir ao Estado, com um investimento de 220 mil contos no capital social daquela instituição financeira. Este montante já é dado, efectivamente, como perdido. No entanto, o montante total que o INPS colocou no Novo Banco atinge 920 mil contos.

“É evidente que vamos perder dinheiro, mas não belisca a situação do INPS e as suas obrigações. Vamos adoptar todos os procedimentos para recuperar o máximo possível dos 920 mil contos. Para além do capital aplicado, tínhamos também um empréstimo subordinado de 100 mil contos ao Novo Banco, e os restantes 600 mil contos são depósitos à ordem e à prazo”, revela o membro do Conselho Directivo.

Entretanto, o que se vai recuperar vai depender de negociações que o INPS terá de fazer com outros intervenientes no processo. “Estamos confiantes que vamos recuperar uma parte substancial, nomeadamente os 100 mil contos”, admite Eugénio Inocêncio.

Também, na reunião de hoje, foi tomada a decisão de contratar uma empresa para avaliar o risco dos investimentos financeiros feitos pelo INPS e que vai ser elaborado um documento que irá regulamentar quais os investimentos em que o Conselho Directivo se deve ou não pronunciar.

“É um documento que está em preparação há vários meses que é ‘Linhas orientadoras e procedimentos internos para qualquer investimento a ser feito pelo INPS’. No próximo Conselho Directivo vamos ter esse documento e vamos discuti-lo. Por outro lado, vamos promover um grande fórum, onde se discuta ‘Os Caminhos da Economia Cabo-verdiana’, e em função disso, os investimentos que o INPS deverá fazer nesse processo de desenvolvimento de Cabo Verde”, acrescenta.

Recorde-se que na sequência da medida de resolução decretada pelo Banco de Cabo Verde (BCV) ao Novo Banco, o ministro das Finanças, Olavo Correia, disse que “esta experiência mal sucedida pode custar ao Estado 1 milhão e 800 mil contos e mais de 60 postos de trabalho”.

A NAÇÃO