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Nesta segunda edição do Caderno “REGIÃO NORTE”, continuamos a dar destaque a alguns aspectos do desenvolvimento socio-económico dos dois concelhos da ilha de São Nicolau, com realce para os sectores da pesca, emigração, turismo e meio ambiente.
Em destaque vai estar, também, uma entrevista com o presidente da Câmara Municipal do Porto Novo (em Santo Antão), Amadeu Cruz, na qual avança as expectativas, receios e estratégias para o desenvolvimento desse município da “Ilha das Montanhas”. O edil porto-novense reclama mais investimentos privados para o seu município, pois, acredita que eles serão a locomotiva para o desenvolvimento do concelho, cuja capital completa três anos de vida como Cidade, na próxima terça-feira, 2 de Setembro. São Vicente está de luto. O Caderno “REGIÃO NORTE” associa-se à família enlutada, à ilha e às suas gentes pelo passamento do “Senhor Nena de Farmácia”, ocorrido, segunda- feira, 25. A melhor homenagem a prestar à sua memória é seguir o exemplo e materializar os seus projectos. Amadeu Cruz pede mais investimentos privados para Porto Novo A poucos dias de Porto Novo comemorar o seu terceiro aniversário de elevação a cidade, o Caderno “REGIÃO NORTE” de o “A Nação” deixa-lhe aqui as expectativas, receios e estratégias do presidente da Câmara Municipal de Porto Novo (em Santo Antão), Amadeu Cruz,. O autarca reclama mais investimentos privados para o seu município, pois, acredita que eles são a locomotiva para o desenvolvimento do concelho.
A Nação – Quais as medidas estratégicas para o desenvolvimento de Porto Novo? Amadeu Cruz – A Política Estratégica para este mandato passa por continuar apostar no desenvolvimento do sector privado em Porto Novo., para atrair mais investimentos para o concelho e desta forma combater a exclusão social e o desemprego e criar uma economia autónoma e viva no concelho. O segundo eixo da nossa política tem a ver com a educação e a formação profissional. Queremos capacitar a geração actual para poder aceder ao mercado de trabalho, quer ao local quer ao nacional, ou mesmo o externo. Queremo9s jovens de Porto Novo com capacidade para trabalhar cá, mas também fora. Temos ainda a questão do combate pobreza e a exclusão social que estão ligadas às estratégias dos outros dois eixos. Temos que continuar a insistir com o Governo no sentido de criar as infra-estruturas económicas necessárias ao desenvolvimento de Porto Novo para dar suporte ao desenvolvimento empresarial. Esse desenvolvimento empresarial viria ajudar a colmatar o défice de desemprego no concelho? Concerteza! Precisamos de investimentos no sector privado. A sociedade cabo-verdiana tem de se convencer que este sector é o maior empregador nacional e nós - o Governo, as câmaras e a sociedade civil -, temos de estar em sintonia com esta realidade. O sector privado tem de ser implementado em Porto Novo e é nesse sentido que estamos a trabalhar. Não é por acaso que investimos na formação académica e profissional dos jovens do concelho. Esta é a nossa linha, mas, de facto, o desemprego afecta um número razoável de jovens, apesar de que, o emprego afecta mais as mulheres do que os jovens, porque eles têm sempre alternativas mas, as mães chefes de família, não. Elas não têm formação académica, nem profissional. Os pais de filhos, muitas vezes, não ajudam, portanto temos um problema com o emprego feminino na faixa etária acima dos 30 anos. Mas isto é um problema nacional e não só de Porto Novo. Aqui, o Ministério do Trabalho, Formação Profissional e Solidariedade Social tem de pensar numa forma de atenuar este problema, porque os homens não têm esse problema. Tínhamos o mercado da construção civil que estava a emergir e que agora entrou num abrandamento. MODERNIZAÇÃO DO PORTO Porquê? O Governo tem de tomar medidas a nível nacional e ele é o principal interessado no crescimento económico e combate ao desemprego. O Governo não pode continuar com a actual politica económica que está a levar a cabo porque, por causa da campanha eleitoral, o Governo baixou a expectativa económica, baixou a confiança no país e agora tem de as recuperar. E não há outro caminho. O Governo tem de fazer isso sobre pena de ser penalizado nas próximas eleições e eu nem sou do partido no poder, apenas estou a dar um conselho.
Há pouco falava de infra-estruturas fundamentais para sustentarem o desenvolvimento de Porto Novo. Quais são essas infra-estruturas? Em primeiro lugar, o porto de Porto Novo que está muito congestionado e não pode continuar assim. Se queremos desenvolver um sector locomotivo em Cabo Verde, como é o do turismo, então o Governo deve rapidamente recuperar e modernizar o Porto de entrada em Santo Antão. Há também estradas que precisam de intervenções urgentes, como a estrada de Tarrafal de Monte Trigo, que é uma estrada estratégica do ponto de vista económico, não de desencravamento, mas do ponto de vista de valorização de toda a costa Sul e Sudoeste de Porto Novo e Santo Antão. Eu penso que o Governo deve dar atenção a esta estrada. Há ainda o aeroporto, que deve ser encarado com seriedade e a questão da energia que também é problemática. Como está o concelho, em matéria de produção e distribuição de energia? Estamos abaixo da média nacional em termos de distribuição de energia da rede pública da Electra e devemos estar acima da média nacional se contarmos com as centrais geridas pela Câmara Municipal. Mas estas centrais são deficitárias e ineficientes. Temos que continuar a batalhar pela ligação energética nas principais povoações de Porto Novo. Neste momento temos nove pequenas centrais que não satisfazem as necessidades do concelho. A autarquia não beneficia de nenhum tipo de subsídio do poder central em termos de produção de energia eléctrica. O que está ao nosso alcance, nós fazemos, mas não chega. ENERGIAS RENOVÁVEIS Porque não apostam em energias alternativas? Neste momento, existe um projecto de energias renováveis para Tarrafal de Monte Trigo e Monte Trigo, com financiamento da União Europeia que está neste momento a ser executado e esperamos que, dentro de um ano e meio, possamos ter energia 24horas por dia nestas localidades. Em Monte Trigo é um projecto de energia solar e em Tarrafal de Monte Trigo estamos a estudar a possibilidade de energia através de recursos hídricos.
Já que fala em recursos hídricos, como está a cobertura de água potável à população? Estamos com uma taxa de cobertura de 80 por cento (%) da população com a cesso à rede de distribuição de água domiciliária. Em 2004, estávamos longe deste número. Fizemos redes de água nas principiais povoações de Porto Novo, porque a taxa de cobertura na cidade deve rondar os 95%, mas o interior está com uma taxa inferior ainda. A cidade consome mais de 700 metros cúbicos de água por dia, o novo dessalinizador tem a capacidade de mil metros cúbicos e penso que dentro de cinco vamos ter de aumentar a capacidade do dessalinizador. Depois, há uma localidade importante que não tem água canalizada, que é a Ribeira das Patas e precisamos de implementar lá um projecto de abastecimento. É uma empreitada muito cara, porque é uma localidade grande com uma população expressiva e estamos à procura de financiamentos. Além da falta de energia e escassez de água, o concelho tem também o problema da habitação social. O que tem feito nesse campo? Nós temos estado a intervir, de acordo com as nossas possibilidades neste campo. Temos um Programa de Habitação Social que está em curso, e, em breve, vamos proceder à entrega de algumas habitações, mas temos intervido na melhoria das condições de habitabilidade, dotando as moradias de casas de banho. Não fazemos propaganda em torno disto mas temos agido fortemente neste sentido, tanto na cidade, como no interior do concelho. É importante dar condições dignas de habitabilidade à população. Isto é uma das preocupações da autarquia e espero que do Governo também. Ouvi dizer que o poder central, tem um programa financiado pela Cooperação Chinesa nesta matéria e eu espero que Porto Novo seja beneficiado e espero que o programa seja executado em articulação com as Câmaras Municipais. A habitação é uma responsabilidade das autarquias e estou de acordo que o Governo tenha as suas políticas e preocupações, mas não pode ignorar as câmaras na execução do programa de habitação, nem pode beneficiar umas em detrimento de outras. Há uma tendência de concentração em algumas ilhas e Santo Antão tem sido renegado para terceiro plano. Tem de haver uma relação de lealdade entre o Governo e as autarquias.
Página na Internet facilita contacto com emigrantes A importância dos emigrantes no desenvolvimento económico e social da ilha de São Nicolau, em geral, e do seu mais novo município, em particular, é reconhecida por todos os responsáveis locais que vêm procurando criar as condições para aumentar a participação desses compatriotas no processo de desenvolvimento dessa parcela do território nacional.
Foi com esse objectivo que a Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau lançou, por ocasião das festividades do Dia do Município, a 2 de Agosto, um “site” na Internet, visando melhorar a comunicação com os munícipes, com realce para os emigrantes. O referido “site” pode ser consultado através do endereço www.cmtsn.cv Conforme o edil tarrafalense, António Soares, com a criação de mais este instrumento de informação e comunicação, a equipa camarária pretende estabelecer uma maior interactividade com os munícipes, nomeadamente com aqueles estão fora do concelho ou vivem e trabalham no estrangeiro. Além de informações sobre o município, os emigrantes tarrafalenses no estrangeiro poderão, através do “site”, conversar com o presidente da Câmara e marcar, com antecedência, as audiências com os responsáveis camarários para tratarem de assuntos dos seus interesses quando regressam de férias à terra natal. “Nós queremos também manter os nossos emigrantes informados de tudo e mais alguma coisa que se passa no município”, assegura António Soares, anunciando que, à semelhança daquilo que foi feito, recentemente, pela Câmara da Ribeira Brava, o município do Tarrafal de São Nicolau irá, também, criar um Gabinete que irá tratar, exclusivamente, das questões que dizem respeito aos ao emigrantes. Entre os assuntos que irão ficar a cargo do Gabinete, o edil aponta programação das viagens, dos vos charters para trazer grupo de emigrantes a São Nicolau, assim como a obtenção de informações junto das Alfândegas, TACV, seguros e outras instituições com as quais o emigrante tem necessidade de se relacionar. Segundo António Soares, trata-se de um Gabinete a que o emigrante entrega as suas preocupações, com vista a uma resolução rápida. Ou seja, este Serviço irá permitir que o emigrante, mesmo antes de chegar a Cabo Verde, comece já a tratar dos seus interesses e das suas preocupações. ACONSELHAMENTO NOS INVESTIMENTOS O edil acredita que esta interactividade que vai haver entre a Câmara e os munícipes servirá também para orientar os emigrantes e aconselhá-los como proceder para realizar os seus investimentos. “Nós sabemos que faz grande falta essa orientação”, sublinha Soares, explicando que o Gabinete terá uma certa polivalência, de modo a poder dar resposta, em tempo útil, às demandas dos utentes. “Queremos também que o emigrante seja um elemento activo no desenvolvimento deste município”, realça o edil que diz ter ficado . bastante satisfeito com a forma como decorreu o encontro que a Câmara Municipal promoveu com os emigrantes em férias, no passado dia 15 de Agosto. “Ficamos bastante satisfeitos com o nível de participação dos emigrantes, uma vez que já reconhecem que Cabo Verde e o municípios estão desenvolver”, disse Soares, realçando que o encontro foi orientado não para as habituais “lamúrias” mas sim para a apresentação de soluções. “Nós sabemos que ainda existem dificuldades, mas as dificuldades enfrentadas no ano passado, em relação a este ano, são de longe incomparáveis para melhor”, garante Soares que disse ter desafiado os emigrantes a se associaram e a prepararem melhor as suas férias. “Do lado da Câmara também teremos de dar informação, antecipadamente, aos emigrantes sobre aquilo que nós lhes oferecemos durante o Verão para que também não fiquem somente em passeios, em bares ou festas e convívios”, reconhece o edil para quem é necessário preparar algo para que o emigrante saiba que tem alternativas para ocupar o tempo durante as suas férias, embora ele possa não participar em todas as actividades programadas pela Câmara ou outra entidade. António Soares é de opinião que devem ser promovidas actividades que possam permitir fazer a interligação cultural dos emigrantes de terceira geração, por exemplo, com a terra-mãe dos seus antepassados. Emigrantes na Itália impossibilitados de vir de férias Demoras inexplicáveis na renovação dos cartões de residência (“Permiso de Sejorno”) na Itália, fizeram com que muitos emigrantes cabo-verdianos, sobretudo, os naturais da ilha de São Nicolau, residentes naquele país europeu não pudessem vir passar férias, este ano, em Cabo Verde Conforme revelou ao “A NAÇÃO”, a conhecida jornalista cabo-verdiana radicada há vários anos na Itália, Maria de Lourdes Jesus, a demora na renovação desse documento que permite aos cidadãos estrangeiros viverem, legalmente, naquele país é das dificuldades que os emigrantes, nomeadamente, cabo-verdianos estão a enfrentar depois das mudanças políticas ocorridas na Itália.
Segundo ela, o novo Governo – liderado por Sílvio Berlusconi - que assumiu o poder em Itália tem vindo a endurecer as medidas restritivas relativamente aos emigrantes, mesmo em relação a aqueles que vivem e trabalham no país há já vários anos. A não renovação em tempo útil dos “Permisos de Sejorno” impede, à partida, o titular desse documento e os seus familiares de viajar para fora do país, sob pena de ter problemas no regresso ou mesmo vir-lhe ser recusada a entrada no território italiano. Maria de Lourdes Jesus cita o caso de um grupo de filhos de cabo-verdianos que pretendiam participar num intercâmbio com compatriotas nos Estados Unidos da América, mas que não puderam viajar para aquele país, devido à não renovação dos “Permisos de Sejorno” dos pais. Para Lordes jesus, que foi a primeira africana a fazer um programa televisivo em Itália, advinham-se tempos cada vez mais difíceis para os emigrantes naquele país, devido à política de emigração que o Governo do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi quer impor naquele país. Entretanto, as dificuldades enfrentadas pelos emigrantes na Itália não parecem estar a afectar os são-nicolauenes noutros países europeus, uma vez que, durante o mês de Julho, e na primeira quinzena de Agosto, perto de dois mil emigrantes chegaram à “Ilha de Chiquinho” para passar as férias de Verão com os familiares e os amigos, provenientes, na sua maioria, da Holanda e da Espanha. Pesca de “blue marlin” é atractivo para o turismo A ilha de São Nicolau, nomeadamente, a parte onde se situa o município do Tarrafal, possui um mar extremamente rico em peixe, sendo o “blue marlin” uma atracção especial, sobretudo para os amantes da pesca desportiva. A existência deste tipo de peixe - de grande porte - nas costas de São Nicolau e no vizinho ilhéu Raso, é encarado como um factor que pode atrair os aficionados deste tipo de actividade recreativa no mar, e que têm um particular interesse na captura do “blue marlin”. Por isso, a Câmara Municipal do Tarrafal acredita que a pesca desportiva, praticada, sobretudo, por estrangeiros, pode vir a transformar-se como um dos grandes atractivos para o desenvolvimento turístico do concelho.
Desde sempre, a pesca foi uma actividade importante no município mais novo de São Nicolau, tendo estado mesmo na base da criação da Vila do Tarrafal, hoje a mais populosa da ilha. As praias de areia negra nas imediações - dizem os tarrafalenses -, possuem propriedades curativas, sobretudo, de doenças reumáticas. A actividade pesqueira levou também à instalação no Tarrafal de uma indústria de conservas de peixe (atum), que funciona, regularmente, apesar de, nos últimos anos, ter vindo a enfrentar sérias dificuldades, devido à escassez de matéria-prima. Na sua Plataforma Eleitoral, a actual equipa camarária propunha o apoia à pesca e aos pescadores como uma questão fundamental do seu mandato. Conforme o edil António Soares, a Câmara Municipal já deu os primeiros passos neste sentido, estando, neste momento, juntamente com o Fundo do Desenvolvimento das Pescas, a beneficiar e a transformar o cais de pesca, onde está a proceder, nomeadamente, à construção de cacifes, nos quais os pescadores vão passar a colocar os seus objectos e equipamentos utilizados na faina. MAQUINA DE GELO JÁ ESTÁ ENCOMENDADA O município espera, ainda, dotar, proximamente, essa estrutura de uma máquina de gelo que já se encontra encomendada e deve chegar no final de Setembro. Essa unidade terá capacidade para produzir três mil e 500 quilos de gelo por dia. Existem, igualmente, perspectivas de financiamento para a formação profissional, virada para os pescadores, no que se refere ao manuseamento das redes, beneficiação e reparação de motores, entre outros sectores. A Câmara Municipal está, também, a pensar na criação de um alpendre para que os pescadores se sintam mais confortáveis quando têm de necessidade de reparar as suas redes e beneficiar os botes. Igualmente, o município diz estar empenhado, juntamente com o Governo, na criação de uma loja onde pescadores possam adquirir utensílios de pesca. Neste sentido, o município está a trabalhar em estreita colaboração com a Associação dos Pescadores da vila, denominada “Cagarra” , para concretizar esses objectivos. Paralelamente, a Câmara pensa, ainda durante este mandato, criar projectos para apetrechar os pescadores com os equipamentos mínimos, como a sonda , aparelho de comunicação VHF e de comunicação GPS, que lhes permitirá, por um lado, descobrir novos bancos de pesca, e, por outro, aumentar o nível da sua segurança no mar. Espera-se, também, que a unidade de produção de gelo, ao aumentar as possibilidades de conservação do pescado, contribua para minimizar a escassez de matéria-prima que está a afectar a produção da Fábrica de Conservas existente, há muitos anos, na vila do Tarrafal Um exemplo de preservação das tartarugas O município do Tarrafal de São Nicolau é considerado um exemplo - em Cabo Verde – na preservação das tartarugas, a espécie marinha mais ameaçada de extinção no arquipélago. Conforme o presidente da Câmara Municipal, este ano, as estatísticas apontavam que, no mês de Julho, existiam perto de350 rastos de tartarugas - nas águas locais - e 98 ninhos, nas praias das redondezas da vila. Para evitar as capturas, está no terreno uma equipa composta por dez vigilantes permanentes - na praias -, pelo que, até ao momento, não há registo de captura de qualquer tartaruga.
O município, em concertação com o Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP), tem vindo a promover campanhas contra a apanha de tartarugas, pelo que - segundo os responsáveis municipais -, de ano para ano, vai-se evoluindo no combate a essa prática . Há três anos, quando se deu início à Campanha de Preservação das Tartarugas, por se ter começado tarde, “houve uma matança de 90 e tal animais”. Mas, já no segundo ano, conseguiu-se reduzir o número para sete, e, este ano, “a meta proposta é a taxa zero”. O Adeus a «Nena de Farmácia» Foi com saudade e pesar que Sao Vicente viu partir aquele que ficou carinhosamente conhecido como «Nena de Farmácia» (na foto), considerado por muitos um ícone da Cultura mindelense, uma espécie de «biblioteca viva», que vai deixar muita saudade aos amigos e às gentes da terra. Aos 85 anos, « Nena de Farmácia » morreu vitima de doença prolongada, no Hospital “Dr. Baptista de Sousa”, na madrugada de segunda-feira, 25. O corpo foi a enterrar na mesma tarde, numa cerimónia repleta de amigos, familiares e são-vicentinos, que fizeram questão de marcar presença nesta última homenagem ao homem muito querido da ilha. Manuel Nascimento Ramos nasceu a 2 de Outubro de 1922, na cidade do Mindelo, onde iniciou actividade profissional, como frezador-mecânico, na Escola de Artes e Ofícios, das Oficinas Navais da Pontinha, em São Vicente. Após cumprir o serviço militar nas ilhas de São Vicente e do Sal, dedicou-se à actividade farmacêutica, tendo montado e dirigido, desde há vários anos, a conhecida Farmácia Nena. Senhor Nena era também um amante da Literatura, com colaborações em jornais e revistas, tanto no país como no estrangeiro, entre os quais “Portuguese Times”, “Nôs Vida”, “Voz di Povo” e “Terra Nova”. HOMEM MULTIFACETADO “Mindelo d’ Outrora” é a sua obra que resultou da compilação de todos os artigos publicados, de forma dispersa, em jornais, ilustradas com fotografias antigas da sua colecção pessoal. No âmbito político e de cidadania, foi deputado na I Legislatura da Assembleia Nacional Popular (Parlamento), eleita depois da queda do regime colonial e advento da Independência Nacional – a 5 de Julho de 1975. Ele foi também membro activo da Comissão Administrativa de São Vicente, até 1976, e da Câmara Municipal de São Vicente, durante vários anos, tendo sido ainda presidente do Conselho Regional da Cruz Vermelha e vice-presidente da Assembleia Municipal de São Vicente. Manuel Nascimento Ramos foi homenageado pela Câmara Municipal de São Vicente, aquando das comemorações do I Centenário da Cidade do Mindelo, em 1979, e também no Dia do Município, em 1998. No campo do desporto foi um dos fundadores do Grémio Desportivo Amarante, de que foi presidente da Assembleia-Geral, e um praticante da modalidade de golfe, desde a sua juventude. A propósito do seu Clube de sempre, Manuel Nascimento Ramos publicou o opúsculo “Os Cinquenta Anos do Grémio Desportivo Amarante”. Parque Natural de Monte Gordo é “jóia da coroa” da ilha O Parque Natural de Monte Gordo (PNMG), que faz parte da Rede de Áreas Protegidas de Cabo Verde, é considerado a “jóia da coroa” da ilha de São Nicolau. Tendo em conta as suas característica únicas, são muitos aqueles que defendem que o PNMG deve ser reconhecido, mundialmente, como um destino do Ecoturístico, e uma alternativa ao turismo convencional. Isto significa que aos visitantes do Parque serão apresentados um ambiente não deteriorado com o qual possam interagir, de uma forma inaudita.
Acredita-se que o PNMG venha a gerar, proximamente, um número significativo de investimentos e emprego através de oportunidades de trabalho rentáveis e sustentáveis para os habitantes das zonas limítrofes. Para o efeito, foi elaborado um Projecto cuja I Fase se iniciou em Janeiro de 2005, e chega ao fim em Dezembro deste ano. Entretanto, já foi feita a apresentação pública do Plano de Gestão do PNMG que será implementado numa II Fase. O referido documento contém todas as informações relativas ao PNMG, no concernente, designadamente, aos meios físico e biótico e ao sistema socioeconómico e cultural. O meio físico contempla aspectos ligados ao clima, hidrologia, geologia e geomorfologia, solos e paisagem, enquanto o biótico refere ao habitat, vegetação e fauna. Por seu turno, o sistema sócio-económico e cultural descreve as características e dinâmica da população no interior e na zona de amortecimento do Parque, as actividades económicas e o aproveitamento dos recursos, a estrutura de propriedade e a situação do planeamento urbanístico. ENVOLVIMENTO DA POPULAÇÃO O diagnóstico relativo ao sistema sócio-económico e cultural estende-se, ainda, aos recursos culturais e aos patrimónios arqueológico, histórico artístico e etnográfico. A metodologia seguida na elaboração do Plano de Gestão do PNMG levou à elaboração de um documento que é o resultado de entrevistas e visitas de terreno, consultas a bibliografias especializadas e estudos produzidos por consultores nacionais e internacionais recrutados, para esse fim, quer por instituições nacionais, quer pela equipa técnica do PNMG. “O Plano, enquanto instrumento de gestão importante de uma área protegida, é uma poderosa ferramenta, capaz de compatibilizar diferentes interesses existentes num determinado espaço natural” refere-se. Tais interesses têm a ver com a conservação da biodiversidade, protecção das características geológicas e geomorfológicas, protecção de valores culturais, estéticos e científicos, bem como a satisfação das necessidades básicas das comunidades que vivem no interior e/ou na zona de amortecimento desse mesmo espaço. OBJECTIVOS DO PLANO O Plano de Gestão do PNMG define, como primeiro objectivo, garantir a conservação e protecção adequada dos ecossistemas, sobretudo, os mais representativos do Parque, os quais constituem “amostras de formações vegetais e animais ameaçadas ou vias de extinção”. Um segundo objectivo visa “garantir a protecção e conservação dos aquíferos e dos solos degradados. Constituem, também, objectivos desse Plano conservar os elementos de carácter etnográfico de grande interesse, nomeadamente as infra-estruturas relacionadas com actividades tradicionais, e fazer perpetuar as manifestações festivas em vias de desaparecimento. O Plano de Gestão do PNMG tem também por objectivo identificar zonas destinadas a “satisfazer as necessidades dos visitantes no concernente ao desfruto das funções ambientais”, estabelecendo, ao mesmo tempo, “restrições necessárias, com vista a “protecção dos elementos naturais e culturais” não só no interior do Parque, como também na zona de amortecimento. Constitui, igualmente, objectivo do referido Plano, “contribuir para a restauração e manutenção da paisagem natural de uma forma harmoniosa, tendo em vista a sua melhoria”. O que é o Ecoturismo? Em 1996, a União Internacional para a Conservação da Natureza definiu o Ecoturismo como: “Uma viagem ou visita ambientalmente responsável a áreas naturais, afim de desfrutar e apreciar a natureza (e quaisquer características nela existentes, tanto do passado quanto do presente), que promove a conservação, provoca um leve impacto por parte dos visitantes e proporciona o envolvimento sócio-económico benéfico e activo da população local”. O que se quer proporcionar no Parque Natural de Monte Gordo (PNMG) é a possibilidade não só de se interagir com o ambiente, mas, também, com as comunidades localizadas dentro do parque. Os visitantes do Parque terão a oportunidade de comprar produtos artesanais feitos localmente e de apreciar pratos tradicionais, servidos nas casas das pessoas residentes no parque. Os visitantes poderão tocar, degustar, sentir e experimentar a rica cultura e diversidade de São Nicolau. A escolha do ecoturismo para o PNMG justifica-se, porque, além de poder ser um meio para a conservação da natureza, constitui uma alternativa aceitável para se obter rendimento do Parque Natural. O desenvolvimento de actividades de ecoturismo dentro do Parque Natural pode produzir benefícios sociais/económicos/ambientais tanto para a industria do turismo quanto para a área protegida. Sobretudo, irá permitir a todos os visitantes sentirem, viverem e “tocarem” o ambiente natural. Isto, consequentemente, os tornará em apoiantes activos para a conservação de áreas protegidas e da natureza. |