Cabo Verde acolhe XIII congresso lusófono de farmacêuticos em 2018

Cabo Verde vai acolher, em outubro de 2018, na cidade da Praia, o XIII congresso da associação de farmacêuticos dos países lusófonos, o primeiro a ser organizado pela recém-criada Ordem dos Farmacêuticos cabo-verdianos.

O anúncio foi feito pela bastonária da Ordem dos Farmacêuticos de Cabo Verde, Maria da Luz Leite, durante a abertura do I Encontro Luso-Cabo-Verdiano do Setor Farmacêutico, que hoje decorre na capital cabo-verdiana.

Esta será a terceira vez que Cabo Verde acolhe o congresso lusófono, mas a primeira que este decorre sobre a égide da ordem cabo-verdiana de farmacêuticos, prestes a completar um ano de existência.

“Os congressos da Associação de Farmacêuticos de Países de Língua Portuguesa (AFPLP) têm vindo a assumir-se como um espaço privilegiado da comunidade farmacêutica lusófona destinado a promover a aproximação dos profissionais e das entidades que regulam a profissão, a intervenção do farmacêutico na saúde pública e o desenvolvimento da cooperação entre os países de língua portuguesa”, disse Maria da Luz Leite.

O encontro de hoje visa promover uma reflexão sobre o exercício da profissão farmacêutica ao serviço da saúde pública e trocar experiências entre as duas organizações congéneres e os profissionais portugueses e cabo-verdianos.

Participam no encontro especialistas da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos Farmacêuticos – INFARMED, de Portugal, e da Agência de Regulação e Supervisão dos Produtos Farmacêuticos e Alimentares – ARFA, de Cabo Verde, além de membros e dirigentes das ordens profissionais dos farmacêuticos dos dois países.

Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal, sublinhou, em declarações à imprensa, 30 anos de colaboração entre os farmacêuticos dos dois países, considerando que existe margem para o reforço dessa colaboração no futuro.

A responsável assinalou o percurso académico comum dos profissionais dos dois países, sublinhando a forte colaboração em matéria de formação universitária e pós-graduada.

Ana Paula Martins considerou que a criação da Ordem dos Farmacêuticos de Cabo Verde revela “condições para ir mais longe” nesta cooperação.

“Dá-lhe a possibilidade de, tal como a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal, de dar contributos significativos na política de saúde e do medicamento”, disse.

O desenvolvimento da especialidade e de competências para os farmacêuticos cabo-verdianos na área hospitalar e a promoção de projetos de promoção da saúde e prevenção da doença ao nível das farmácias comunitárias são as duas áreas futuras de cooperação identificadas como prioritárias pelas duas ordens.

Assegurar a qualidade dos medicamentos, garantir que são eficazes, seguros e a preços acessíveis a todos os cidadãos é outra área de colaboração, envolvendo as entidades reguladoras dos dois países – INFARMED e ARFA.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, que presidiu à abertura do encontro, prometeu “atenção especial ao setor da farmácia” e a “melhoria da política farmacêutica com o foco essencial no medicamento”.

Dotar as farmácias hospitalares de farmacêuticos qualificados, promover um cada vez maior uso de medicamentos genéricos, instituir e controlar a prescrição eletrónica de medicamentos e rever o sistema de comparticipação de medicamentos são algumas das propostas do governo cabo-verdiano para esta área.

“O medicamento produzido em Cabo tem de ter garantia de qualidade. A informalidade da economia tem dificultado muito o processo de controlo das vendas não autorizadas de medicamentos. É preciso persistir na educação e formação e ser firme e determinado no combate sem tréguas à informalidade no setor do medicamento”, disse o ministro.

Em Portugal existem cerca de 15 mil farmacêuticos, enquanto em Cabo Verde há cerca de 70 destes profissionais.

Lusa