Pescador resgatado depois de sete dias à deriva no mar
- Criado em 12-02-21
Augusto Enes Cardoso, 52 anos, residente na Achada Grande Frente, na cidade da Praia, foi resgatado nos Mosteiros, em pleno mar, por três pescadores locais. Assistido no centro de saúde local, os resultados revelaram que o mesmo estava bem de saúde.
Augusto Cardoso, pescador da ilha de Santiago, foi resgatado na ilha do Fogo, depois de estar à deriva sete dias entre as ilhas de Boa Vista e Maio. O "milagre" aconteceu domingo passado, 19, por volta das nove horas, no concelho dos Mosteiros, na ilha do Fogo.
"Duco" de Maria da Luz, como é mais conhecido, foi avistado ao largo da costa dos Mosteiros por um colega, Orlandinho de Filipe, que providenciou o resgate.
Conforme relato do náufrago à Rádio de Cabo Verde, ele e um colega, de nome Nelito, também de Santiago, foram à ilha de Boa Vista, no passado Domingo, 12 de Fevereiro. "Nelito desembarcou e foi vender peixe e comprar combustíveis, e eu fiquei tomar conta da embarcação. Por azar, a corda no qual o bote encontrava preso desatou-se e a lancha foi arrastada pela corrente, como havia muita bruma seca e vento, acabei por ficar perdido no mar durante todo esse tempo", contou.
"Acreditei sempre que eu iria ser resgatado com vida", acrescenta. "Numa dada altura estive bem perto da zona costeira do Tarrafal da ilha de Santiago, mas não alcancei a terra por causa da forte ventania que se fazia sentir no mar".
Duco afirma que fez todo esse percurso graças à vela que a embarcação possuía.
CAPITANIA DOS PORTOS CHAMA ATENÇÃO
Para o Capitão dos Portos, João de Deus Silva, a pesca artesanal com recurso a embarcações de boca aberta, sem meios de comunicação e orientação, para além de ser ilegal, coloca vida desses pescadores em risco. "Sei que muitos pescadores arriscam as suas vidas, atravessando o canal marítimo entre Praia, Maio e Boa Vista, utilizando embarcação de boca aberta, à procura do pescado, ignorando a proibição imposta por lei", refere.
Segundo aquele responsável, a fiscalização pelo cumprimento da lei cabe à Polícia Nacional, através da Direcção Marítima. "No caso de uma eventual deslocação, essas embarcações devem ter pelo menos dois motores, três remos e estarem na companhia de um barco maior", afirma, salientando, por outro lado, que cabe aos próprios pescadores zelarem pela sua segurança no mar.
No caso de Duco esta é terceira vez que o mesmo vive um naufrágio durante a faina de pesca.
NO FOGO UM OUTRO PESCADOR CONTÍNUA DESAPARECIDO
Entretanto, um outro pescador, Danielson Brandão, 44 anos, encontra-se desaparecido no mar desde às 18 horas de segunda-feira, 13 Fevereiro. Danielson, que seguia numa embarcação de boca aberta caiu, ao mar, nas imediações do cais de pesca do Vale dos Cavaleiros, na ilha do Fogo, devido a uma forte ondulação que o projectou para fora da embarcação. As autoridades marítimas desencadearam as operações de busca durante três dias consecutivos no mar, depois na terra, sem resultado.
Silvino Monteiro

- Anúncios & Comunicados
















Director: Alexandre Semedo | Director Executivo: Fernando Ortet | Coordenador: Jose Augusto Sanches -