TRAFICANTE CONDENADA A 17 ANOS : Lígia cursa Direito na Lusófona
- Criado em 12-01-23
Lígia Furtado, que cumpre uma pena de 17 anos por tráfico de drogas, está a cursar o segundo ano da Licenciatura em Direito. É considerada um dos melhores alunos da sua turma, com a vantagem de não ter propinas em atraso, conforme foi avançado ao A NAÇÃO por fontes da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), sua Escola no Mindelo (São Vicente).
Lígia Furtado está presa na Cadeia de Ribeirinha (São Vicente) desde Outubro de 2010, depois de condenada pelo Tribunal da Comarca do Sal a 23 anos de prisão, reduzida entretanto pelo Supremo Tribunal de Justiça para 17 anos. Considerada “uma aluna inteligente e com boas notas”, Lígia “não está na lista de alunos devedores”, não tendo nunca apresentado problemas de pagamento da propina.
“Por causa da impossibilidade de assistir às aulas”, avança uma das fontes do A NAÇÃO, “a Reitoria da ULCV disponibilizou dois docentes para fazerem um acompanhamento na cadeia e tirar-lhe dúvidas nas matérias”. Ainda, “as matérias são enviadas directamente para o correio electrónico do Director da Cadeia” que depois lhe repassava os temas para que ela possa estudar.
E porque há professores que não permitem que ela faça os testes na cadeia, “Lígia Furtado é escoltada por dois agentes à paisana quando desloca-se à ULCV”, afirma nossa fonte, segundo a qual apenas uma vez aquela aluna fez teste dentro do edifício prisional, tendo o sido observador “por um funcionário da ULCV.”
Conforme apurado por este semanário, Lígia Furtado não se desloca à escola no horário de almoço nem no período pós-laboral pelo que alguns dos seus professores alteraram os horários, “por simpatia”, para que ela possa fazer os exames.
COM PROPINAS EM DIA
Esta antiga assistente de bordo, “não tem nenhuma propina em atraso”, conforme apurado também pelo A NAÇÃO, numa universidade onde a mensalidade é de 15 mil escudos e ainda está ao abrigo de um protocolo que lhe garante um desconto que pode ir até os 20 porcento.
A Universidade Lusófona de Cabo Verde assegura que a licenciatura de Lígia Furtado é feita dentro dos processos legais de apoio à formação e reinserção social. “Abrimos os cursos para mais alunos que estivessem interessados em fazer formação superior mas só ela se apresentou”, avança a nossa fonte.
Esta garante não haver nenhum esquema de favorecimento em relação àquela condenada e a ULCV. “Legalmente, as pessoas encarceradas podem beneficiar de formação e este processo foi feito com a autorização por carta do Director da Cadeia de Ribeirinha”, termina.

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