Al-Qaeda no Magreb ameaça Cabo Verde
- Criado em 12-08-20
Os aeroportos de Cabo Verde estão sob ameaça terrorista da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQUIM), que apoia o movimento separatista de Azawad, no Norte do Mali. Na posse do alerta, ainda que discretamente, as autoridades cabo-verdianas adoptaram as “necessárias” medidas internas.
A “intimidação” da AQUIM, soube este jornal, é dirigida a todos os países de África Ocidental. A mesma vem na sequência da recente reunião do Comité dos Chefes dos Estados-Maiores da CEDEAO (CCEM), que decidiu enviar uma força de intervenção ao Mali, no sentido da repor da ordem constitucional nesse país. O início da movimentação de tropas está marcada para o dia 1 de Setembro e a ameaça visa, essencialmente, impedir essa intervenção comunitária.
As duas organizações (AQUIM e MNLA) ameaçam explodir os aeroportos dos países da CEDEAO, mais alguns outros estados africanos como a Somália, Quénia, Chade e Gabão, assim como as embaixadas dos Estados Unidos de América, da França e do Reino Unido.
A NAÇÃO sabe que, logo após a recepção da missiva com a referida ameaça, o Governo de Cabo Verde accionou um conjunto de directivas no sentido de se levar, essa “intimidação”, ao pé da letra, informando, ao mesmo tempo a ASA e as companhias aéreas que operam no país para a necessidade de tomada de medidas de segurança excepcionais.
CONFIRMAÇÃO
Abordado por A NAÇÃO, o ministro da Defesa Nacional, Jorge Tolentino, confirmou a veracidade da notícia, salientando a ameaça “tem a ver com a instabilidade reinante no Mali e na Guiné-Bissau”. Diante disso, precisou, “os grupos terroristas dessa zona lançaram uma ameaça generalizada a todos os países da sub-região”.
“Os mecanismos de prevenção foram accionados e funcionaram normalmente com a eficácia e discrição que se impunha”, acrescentou a mesma fonte. “A ameaça mantém-se e está ser tratada com a toda a seriedade, repito, com a discrição que se impõe, sem alarmismos, porque sobretudo, independentemente dessa ameaça, temos consciência da situação na região e temos de trabalhar com isso. Ou seja, temos de aprender a conviver com este tipo de situação”.
Entretanto, diante da ameaça, há quem considere que ela não teria lugar se Cabo Verde não tivesse participado na reunião que decidiu enviar tropas para o Mali, através do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, Coronel Alberto Fernandes, no âmbito do tratado de defesa existente a nível da CEDEAO e que possui uma “stand by force”. Tolentino recusa tal ideia.
“A reunião a que o nosso CEMFA participou faz parte das reuniões periódicas onde as questões de segurança são normalmente discutidas. Desta feita, como não podia deixar, foram discutidas as situações do Mali e da Guiné-Bissau”.
Aquele governante esclarece e salienta que Cabo Verde, efectivamente, não integra o tratado regional que possui uma força de intervenção na CEDEAO e que nada indica que venha a alterar a sua posição. “Isso teria de ser discutido a nível do Conselho de Ministros, do Conselho Superior de Defesa, um órgão presidido pelo Chefe de Estado, e levado por último ao Parlamento. De resto, a posição de Cabo Verde é aceite normalmente pelos demais países da CEDEAO”, garantindo que não existe qualquer pressão no sentido de mudar essa vontade cabo-verdiana.
EXTREMISMO ISLÂMICO
O golpe de Estado de 21 de Março, no Mali, criou uma grande instabilidade nesse país do Sahel. Inicialmente tratou-se de uma revolta dos militares insatisfeitos com as medidas do governo para conter a insurgência tuaregue no norte do país, mas que acabou por ter um efeito totalmente contrário. Isto porque acabou por permitir que a AQUIM e o MNLA se apoderassem da região norte do Mali, proclamando de seguida a independência de Azawad, a 7 de Abril.
A declaração foi repudiada pela União Europeia e pela CEDEAO. No dia 8 de Abril, após a renúncia do presidente Houmani Touré, negociada pela CEDEAO e os golpistas, o poder foi entregue à Assembleia Nacional do Mali.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas exortou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a preparar propostas para uma força de estabilização no Mali e com isso trazer a paz e a estabilidade de volta ao país. O Conselho condenou, entretanto, as violações dos direitos humanos e a destruição dos sítios históricos antigos no Mali perpetuados por militantes da AQUIM, tido como um grupo muito mais radical que o MNLA.

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