JMN lidera PAICV até 2015
- Criado em 12-08-06
O Conselho Nacional do PAICV, reunido na Praia no passado fim de semana, entre outros pontos, decidiu fixar a renovação dos órgãos regionais do partido, marcar as eleições para presidente em Janeiro e convocar o congresso ordinário para Março de 2013. Depois da chicotada psicológica de 1 de Julho, em que o PAICV perdeu a maioria das 22 câmaras municipais e do desaire presidencial de 2011, os conselheiros procederam à análise da situação actual do partido, concluindo que é preciso estabelecer o espírito de diálogo e bom funcionamento da democracia no PAICV.
Em relação ao próximo presidente do PAICV, a eleger em Janeiro de 2013, segundo o porta-voz da reunião, Walter Évora, está em aberto neste momento se José Maria Neves será ou não candidato a mais um mandato de três anos. Évora avançou, entretanto, que dificilmente haverá um "cenário de bicefalia" no sistema tambarina, isto é, haver um presidente do partido diferente do primeiro-ministro. Referindo-se concretamente ao futuro de JMN, aquele porta-voz afirmou: "Há um compromisso assumido por ele (no sentido) de continuar a reforçar a governação do país até 2016". Sendo assim, e partindo do princípio que os mandatos no PAICV são de três anos, tudo leva, pois, a crer que JMN irá disputar mais um mandato como líder partidário, de modo a cumprir o seu "compromisso" com o país até 2015/2016, compromisso esse assumido em 2011. Contas feitas, será no fim do actual mandato governamental, provavelmente em 2015, que em congresso extraordinário Neves passará o ceptro ao seu sucessor, eleito então pelo voto directo e secreto pelos militantes e a pensar nas legislativas de 2016. Neste momento este parece ser o cenário mais plausível, como de resto deixa a entender Walter Évora quando afirma que dificilmente haverá um "cenário de bicefalia" no PAICV. Tal cenário seria, à partida, gerador de tensões e conflitos, com inevitáveis desgastes para todo o sistema tambarina, a caminho de 15 anos de poder consecutivo a nível do Governo. Além disso, convém lembrar, no figurino político cabo-verdiano o chefe do partido mais votado é também o primeiro-ministro, sendo certo e claro que foi sob o comando de JMN que o PAICV obteve o seu actual mandato legislativo e governativo. De resto, a nossa história recente mostra que o cenário de bicefalia acaba por ser contraproducente. Foi o que aconteceu ao MpD nos anos noventa quando Carlos Veiga procurou criar um quadro favorável a Gualberto do Rosário, com os resultados que se sabe. Numa outra realidade que nos é próxima, Portugal, também aconteceu uma situação paradigmática quando o então primeiro-ministro Durão Barroso, ao trocar o Governo pela União Europeia, deixou no lugar Pedro Santana Lopes que acabou derrotado nas urnas. Portanto, sabida a intenção de José Maria Neves em não concorrer nas legislativas de 2016, o PAICV tem pela frente um momento delicado que passa naturalmente por encontrar um novo líder e com isso sobreviver ao próximo turbilhão eleitoral. Como irão os seus vários dirigentes se posicionar, desde já, nesse tabuleiro é um dos elementos a ter em devida conta. Para todos os efeitos, basta que alguém se posicione em 2013, mesmo perdendo para JMN, para a música passar a ser outra. Afinal foi precisamente o que José Maria Neves fez em 1997 quando, contra a ordem natural das coisas, enfrentou e perdeu para Pedro Pires, voltando em força três anos depois, para desta feita conquistar o PAICV, nele se mantendo até aos dias de hoje. Um cenário ainda mais radical seria uma candidatura alternativa a JMN conquistar em 2013 a liderança do partido, empurrando com isso o actual líder ou mesmo o país para eleições antecipadas. Felisberto Vieira, Júlio Correia, Cristina Fontes, Filomena Martins, Janira Hopffer Almada e José Maria Veiga são, para já, alguns nomes que podem ser vistos como potenciais sucessores de José Maria Neves.
José Maria Neves vai manter-se na liderança do PAICV até pelo menos 2015. Para isso, JMN volta, muito provavelmente, a concorrer a um novo mandato como líder do partido em Janeiro de 2013, assegurando a chefia do Governo até 2016. Será em 2015, em congresso extraordinário que o PAICV irá escolher o seu próximo candidato a primeiro-ministro.
Por agora, e conforme o porta-voz do último Conselho Nacional, este órgão recomendou a "descentralização" das reuniões da Comissão Política Nacional do PAICV (para que não sejam sempre na Cidade da Praia), assim como o reforço no domínio da "formação ideológica dos militantes". Em Outubro próximo, o CN volta a reunir-se para criar uma comissão preparatória para a eleição do presidente do partido e a realização do congresso. Até Dezembro vão ser eleitos os presidentes das comissões políticas regionais.

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