Mais de meio milhão de contos em campanha e no suporte das eleições

Os dois maiores partidos políticos, PAICV e o MpD, recorreram a créditos bancários acima dos 90 mil contos para financiar a campanha para as autárquicas, que está na estrada desde as primeiras horas do dia 14. Com orçamento mais modesto, UCID pretende gastar cerca de seis mil contos, enquanto o PTS guarda segredo neste campo. Certo é que só dos cofres do Estado vão sair cerca de 500 mil contos para suportar as despesas das eleições de 1 de Julho próximo. Ainda assim, "falta" dinheiro para aguentar a disputa.

 

 

Sem se refazer ainda das despesas das anteriores eleições (legislativas e presidenciais), os partidos políticos vêem-se a braços com novas despesas, desta feita, para as autárquicas de 1 de Julho. Qual círculo vicioso, e apesar das medidas de contenção impostas pela última revisão do código eleitoral, cada nova campanha impõe gastos com camisetas e outros brindes, fora cartazes, bandeirolas, etc.

 

Para estas eleições, o MpD propõe-se a perto de 80 mil contos, não só através de empréstimos bancários, como dos amigos do partido para cobrir as despesas de campanha nos 20 municípios onde concorre com candidaturas próprias. Isso sem contar com os apoios que pretende disponibilizar às candidaturas independentes de Jorge Figueiredo (Sal) e de Júlio Andrade (São Filipe).

"Vamos fazer uma campanha com os recursos possíveis, contando com forte engajamento dos candidatos para mantermos as câmaras onde já governamos e conquistarmos outras", refere o vice-presidente do MpD, Jorge Santos, admitindo com o seu partido aposta forte na "reconquista da Câmara Municipal do Paul, numa vitória em pelo menos num dos municípios de São Nicolau e em outro do Fogo".

Vacas magras

Único partido que apresenta candidaturas próprias em todos os 22 municípios do país, o PAICV desdobra-se em reuniões com os simpatizantes e amigos do partido no sentido de mobilizar dinheiro para cobrir boa parte das despesas de campanha. Ainda assim, o partido tambarina recorreu empréstimos bancários porque, como afirma o coordenador para as autárquicas, Júlio Correia, "os tempos são de vacas magras e o partido não tem os recursos que outros têm para suportar a campanha".

Entretanto, Júlio Correia garante que a "máquina está oleada" e pronta para levar o barco ao porto da "vitória". "Independentemente dos recursos financeiros que não são muitos, todos os sinais que temos indicam-nos que vamos vencer. Vamos lutar em todas as frentes, renovar os mandatos onde somos governo e conseguir outras vitórias".

Para alcançar tal desiderato, o PAICV precisará de valores bem próximos dos 80 mil contos avançados pelo MpD, mesmo porque as eleições municipais mobilizam maior número de candidatos e exigem por isso grandes despesas com a logística. Além disso, o PAICV, pelo que sabemos, possui ainda dívidas das anteriores eleições (legislativas e sobretudo presidenciais) que ainda não conseguiu pagar. O MpD, diga-se também, não está longe disso.

6 mil da UCID

Já a UCID aposta quase todas as suas fichas em São Vicente, onde o líder do partido António Monteiro tenta eleger-se presidente da Câmara Municipal. Apesar de concorrer também na Praia, Ribeira Grande de Santo Antão, Sal e Ribeira Brava (São Nicolau), a UCID não pretende gastar mais de seis mil contos nestas autárquicas, pois o fraco desempenho eleitoral nas legislativas do ano passado deixou o partido com pouca margem para se endividar.

Em situação idêntica está o PTS, cujo líder e candidato à Câmara Municipal de São Vicente, João do Rosário, guarda a sete chaves o orçamento que o seu partido tem para suportar as despesas de campanha na ilha do Porto Grande, no município da Praia e em São Miguel.

Os grupos independentes também fazem segredo quanto ao dinheiro com que contam para custear o material de campanha, pagar equipas de apoios e cobrir outras despesas. Um dos mistérios é quanto irá Eugénio Veiga, em São Filipe, desembolsar para conservar a câmara de que é presidente há 22 anos.

De referir que além das despesas do partido, há candidatos do MpD e do PAICV que trabalham com recursos próprios que no geral não revelam para não dar o ouro ao bandido. Isso é mais patente nas câmaras com maior poder político e económico, casos da Praia e de São Vicente, mas também da Boa Vista e do Sal. Aqui os gastos destoam claramente dos outros municípios com menos peso.

500 mil do Estado

Certo é que o Estado vai despender cerca de 500 mil contos para suportar as eleições autárquicas de 1 de Julho próximo. Deste montante, cerca de 200 mil vão para a Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE), que monta toda a estrutura do processo eleitoral. A Comissão Nacional das Eleições (CNE) recebe 80 mil contos para a formação dos delegados, pagamento do pessoal da mesa e cobrir outras despesas.

Os restantes 220 mil contos destinam-se ao pagamento dos subsídios aos candidatos em função do resultado eleitoral de cada um, sendo que um voto vale 500 escudos nas municipais. Ou seja, cada candidatura receberá do Estado o valor equivalente ao número de votos que alcançar multiplicado por 500 escudos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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