Autárquicas 2012: Quadro geral para 1 de Julho

Arrancou na quinta-feira, 14 de Junho, em todo o arquipélago, a campanha para as eleições autárquicas de 1 de Julho. Ao todo 58 listas concorrem aos 22 concelhos do país, tendo ficado de fora por decisão judicial apenas as candidaturas "independentes" de Alcindo Amado (São Vicente) e Pedro Centeio (Mosteiros). O quadro autárquico mostra-se, assim, bastante concorrido através do MpD, PAICV, PTS e UCID, fora oito outras listas independentes sem suporte partidário.

 

Das forças em presença, o PAICV é o único partido que concorre em todos os 22 concelhos que formam o tabuleiro autárquico nacional, seguido do MpD (20), UCID (5) e PTS (3). O MpD apoia ainda as listas de "independentes" em São Filipe (Júlio Andrade) e Sal (Jorge Figueiredo). Também como independentes, mas nestes casos sem suporte partidário, temos Eugénio Veiga (São Filipe), Manuel António Mendes (Boa Vista), António Borges (Santa Cruz), Alcides Tavares e Alberto Correia, estes dois em São Miguel.

 

Praia, São Vicente e São Miguel, com quatro concorrentes, e Santa Cruz, Porto Novo, São Filipe, Boa Vista, com três, são os concelhos onde a luta se mostra particularmente concorrida, com hipóteses de divisão nalgumas dessas câmaras municipais. Esse cenário é mais provável, sobretudo, em São Vicente e São Filipe, mas também em Santa Catarina de Santiago.

Independentemente desses e outros factores, Praia, São Vicente, Santa Catarina e Tarrafal de Santiago, bem como São Filipe, surgem como os casos a acompanhar muito de perto, tendo em conta o seu peso político no contexto nacional, bem como a idiossincrasia de alguns dos actores em presença. É o caso de Eugénio Veiga, um político atípico no contexto de Cabo Verde, o único sobrevivente da "geração" de 1991.

De realçar ainda o caso de São Miguel, um concelho até aqui politicamente inexpressivo no contexto de Santiago, onde são quatro as candidaturas, com duas listas de independentes (Alcides Tavares e Alberto Correia). Esses dois independentes, mais Salomão Furtado, do PAICV, irão tentar destronar João Duarte, que disputa a sua terceira eleição, mais uma vez, sob a égide do MpD. Sabendo que os dois independentes são da área do PAICV, facilitada fica a vida de Duarte.

Nas autárquicas de Maio 2008, o MpD obteve 11 câmaras, o PAICV 10, fora o grupo independente do Sal, liderado por Jorge Figueiredo, com apoio ventoinha. Por isso, à partida, as duas principais forças políticas nacionais, o PAICV e o MpD, esperam superar os seus resultados de há quatro anos atrás, considerando derrota qualquer resultado abaixo dessa fasquia.

De lembrar ainda que foi nessa eleição quando, ao perder pelo número de câmaras, mas depois de somar todos os votos no PAICV, José Maria Neves concluiu que o seu partido continuava a deter a "maioria sociológica".

Uma vez mais, numa altura em que despontam sinais de desgaste político, JMN volta a ter que dar tudo por tudo para manter os seus níveis de legitimidade, pese embora todos sabermos que eleições autárquicas não serem eleições legislativas.

 

Iniciada enfim a campanha eleitoral, Cabo Verde e os cabo-verdianos vão conhecer nas próximas duas semanas o rebuliço típico das disputas do género. Nada disso, sabemos todos também, é mais novidade para ninguém. Para todos os efeitos, estas são as sextas eleições da história do municipalismo cabo-verdiano iniciada em 1991.


 

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