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Um olhar por dentro do Fundo Monetário Internacional

A escandalosa substituição de Strauss Kahn por Christine Lagarde

Dominique Strauss Kahn foi eliminado por ameaçar a elite financeira mundial. Aliás, ele foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais.

As suas declarações como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transações financeiras, assim como uma distribuíção mais equitativa da riqueza, assustaram aqueles que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.

Não vale a pena pronunciar-se sobre a culpa ou inocência pelo alegado crime sexual de que Dominique é acusado. O que interessa aqui salientar é quem beneficia com a saída de cena do boss do FMI.

Convém lembrar que, quando em 2007 ele foi designado para ser o boss do FMI, foi eleito pelo grupo do club Bilderberg, do qual fez ou faz parte. Na altura, ele não representava qualquer “perigo” para as elites económicas e financeiras mundiais, com as quais partilhava as mesmas ideias.

Em 2008 surge a crise financeira mundial e com ela, passados alguns meses, as vozes críticas quanto à culpa da banca mundial e ao papel permissivo e até colaborante do governo norte-americano. Pouco a pouco, o chefe do FMI começou a demarcar-se da plítica seguida pelos seus antecessores e do domínio que os Estados Unidos da América sempre tiveram no seio da Organização.

Ainda recentemente, no passado mês de Maio, passou despercebido nos media o discurso de Dominique Strauss Kahn. Ele estava agora bem longe do que sempre foi a orientação do FMI. Progressivamente a Organização estava abandonando parte das suas grandes linhas de orientação entre as quais o controlo dos capitais e a flexibilização do emprego. De notar que, a liberalização das finanças, dos capitais e dos mercados era cada vez mais, aos olhos de Strauss Kahn, a responsável pela proliferação da crise “made in América”. O patrão do FMI  mostrava agora nos seus discursos uma via mais “suave” de ajudar financeiramente aos países que dele necessitavam, permitia um desemprego menor e um consumo sustentado, e que portanto não seria necessário recorrer às privatizações desenfreadas que só atrasavam a retoma económica. Claro que os banqueiros mundiais não viam com bons olhos esta mudança. Achavam que a política seguida até então pelo FMI tinha tido os resultados preconizados, isto é, os lucros dos grandes  grupos financeiros mundiais estavam garantidos.

Todavia, esta reviravolta era ben-vinda para os economistas progressistas como, por exemplo, Joseph Stiglitz que num recente discurso no Brooklings Institution, poderá ter dado a sentença de morte ao elogiar o trabalho do seu amigo Strauss Kahn, que nessa reunião concluiu dizendo que , passo a citar:
“Afinal, o emprego e a justiça são as bases da estabilidade e da prosperidade económica, de uma política de estabilidade e da paz. Estas são as bases do mandato do FMI. Estas são as bases do nosso programa. Ainda só fizemos metade do caminho. Temos que reforçar o controlo dos mercados pelos Estados, as políticas globais devem produzir uma melhor distribuíção dos rendimentos, os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários. Progressivamente deve existir um regresso dos mercados ao  Estado.” fim de citação.

Também, muito recentemente, na  George Washington University (USA)  Dominique Strauss Kahn foi mais longe nas suas declarações, afirmando que, passo a citar:

“A mundialização conseguiu muitos resultados que também troxeram atrelado um desastre social – o fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos que criar uma nova forma de mundialização para impedir que a “mão invisível” dos mercados se transforme num “punho invisível” fim de citação.
Como podem ver, Dominique Strauss Kahn acabava de assinar a sua sentença de morte. Pisou a linha vermelha e acabou por ser eliminado.

No meu próximo artigo retomarei este tema, e os leitores ficarão a saber quem é, de facto, Christine Lagarde e as múltiplas razões que estão por detrás da sua escolha para substituír Dominique Strauss Kahn.


 

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