ONG’s pretendem melhorar agro-pecuária no Calhau
- Criado em 12-05-26
O projecto, que nasce de uma parceria entre Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI) e a Associação de Amigos do Calhau, visa melhorar as condições de produção agrícola no vale, incentivar o associativismo local e promover o papel da mulher rural. Os investimentos estão avaliados em cerca de 25 mil contos, com 80% a ser financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
OS BENEFICIÁRIOS O projecto pretende melhorar a vida de mais de mil e oito pessoas (sendo 564 mulheres e 444 homens) que têm na agricultura e a pecuária as suas principais fontes de rendimento. Propõe a implementação de meios como o sistema de rega gota-a-gota, a criação de um viveiro ecológico, uma unidade de transformação agro-alimentar e um sistema de empréstimo de ferramentas. Nessa fase inicial está-se a preparar e capacitar os membros da Associação Agro-pecuária em gestão associativa e cooperativismo. Neste momento já se encontra no terreno um técnico a formar os agricultores para o combate às pragas. Serão realizadas ainda formações para os agricultores em técnicas de produção sustentável e em gestão dos recursos naturais, com especial ênfase na água. Com os criadores de gado os técnicos querem trabalhar para que melhorem e diversifiquem a alimentação dos animais. O objectivo, segundo o coordenador do projecto, Adriano Palma, é dotá-los de todas as ferramentas para que possam se autosustentar e melhorar a sua qualidade de vida. RACIONALIZAÇÃO DA ÁGUA O presidente da Associação Agropecuária do Calhau, José Fortes, informa por seu turno que existem cerca de 500 agricultores no Calhau, 160 parcelas agrícolas e 320 poços que abastecem toda a região. Avança que, apesar de neste momento não enfrentarem problemas de escassez de água, urge implementar novos sistemas que possibilitem a racionalização da água para evitar problemas no futuro. E aponta algumas soluções: "construção de mais diques de captação de água, o desassoreamento dos diques já existentes e também a implementação do sistema de rega gota-a-gota". No entanto, Fortes afirma que o maior constrangimento que enfrentam diz respeito à comercialização dos produtos. "A agricultura tem vindo a desenvolver-se e tem abastecido grande parte de São Vicente e outras ilhas. Mas temos vindo a enfrentar o problema do excedente de produção, acabando muito daquilo que se produz a servir de pasto para os animais", acrescenta. O dirigente associativo diz ver neste projecto, nomeadamente a implementação do sistema de rega gota-a-gota e o centro de transformação alimentar, uma saída para o excedente de produção. Por outro lado, reitera, "vai dar maior visibilidade e credibilidade àquilo que se produz na região, através um sistema de embalagens dos produtos tanto agrícolas como da pecuária". PROMOÇÃO DAS MULHERES O projecto está virado também para a promoção das mulheres do Calhau, já que aposta em formações profissionais e na defesa dos direitos das cidadãs dessa localidade. "As acções de enfoque no género irão assegurar a participação das mulheres no desenvolvimento rural, criando condições para o melhoramento da sua condição socioeconómica. Será apoiada a formação profissional e a criação de uma linha de transformação de alimentos para facilitar o acesso ao trabalho de mulheres na zona", lê-se no documento a que o A NAÇÃO teve acesso, que justifica o programa delineado. O projecto começou em Fevereiro deste ano e tem a duração de dois anos. Se tudo correr como programado, todas as obras e acções de formação estarão concluídas no final do próximo ano. Na primeira fase já foi investido cerca de 3200 contos.
O sector agro-pecuário do vale do Calhau vai ganhar novo impulso com a implementação de técnicas que melhorem a sustentabilidade da agricultura e pecuária naquela zona agrícola de São Vicente. Um projecto cujo propósito é a ajudar as mulheres residentes no vale a ter melhores rendimentos.
Para além dos parceiros já referidos, o projecto contará com a colaboração da Delegação do Ministério de Desenvolvimento Rural em São Vicente, da Agência para o Desenvolvimento Empresarial e Inovação (ADEI), do Centro de Emprego e Formação Profissional e o Centro de Desenvolvimento Social de São Vicente.

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