São Vicente com saudades de Yogurel
- Criado em 12-02-13
Os produtos da Yogurel (iogurtes e gelados), produzidos em Santiago, são um sucesso em São Vicente. No entanto, por falta de transporte, há muito que a marca Yogurel deixou de ser adquirida na ilha do "Monte Cara". Há quem lamente e pergunte para quando o problema será resolvido.
Não é de hoje. Mal chegam a São Vicente, os produtos da Yogurel logo desaparecem das prateleiras. Tratando-se São Vicente de uma ilha de consumidores exigentes (não é por acaso que foi aí que surgiu e funciona, praticamente, a única Associação de Defesa do Consumidor, a ADECO), a fama da Yogurel está neste momento sem o devido proveito financeiro. Isto porque há mais de seis meses que os iogurtes e outros produtos daquela marca deixaram de ser vistos em São Vicente.
A Prolact, empresa que fabrica iogurtes, gelados e outros produtos "Yogurel, na Cidade da Praia, tem como representante em São Vicente a firma Mário Duarte & Filhos Lda. E segundo o seu responsável, José Pedro Santos, a falta de transporte regular entre as duas ilhas é o único factor para a falta da Yogurel no mercado mindelense.
"Se dependesse de nós ou da Prolact, haveriaYogurel à vontade à venda", afirma aquele operador. "Os produtos não estão sendo vendidos em São Vicente por falta de transporte marítimo. Antes, contávamos com o navio "Tarrafal", mas há mais de seis meses que está paralisado e em relação aos outros navios a viagem é muito irregular", acrescenta a mesma fonte.
Com isso, José Pedro entende que é preferível não colocar em risco a qualidade do iogurte entre os consumidores. "Os produtos da Yogurel, a começar pelos iogurtes que são os mais procurados, são muitos sensíveis, são naturais e sem conservantes, e o seu ciclo de frio não pode ser quebrado. Normalmente, são transportados em arcas que garantem a sua conserva durante 48 horas e isso tem de ser respeitado rigorosamente para não haver risco de deterioração".
FALTA DE TRANSPORTE?
Mesmo com os ciclos de paragem que vem acontecendo há já dois anos a esta parte, e sempre por falta de transporte regular e seguro, a procura pelos "iogurtes da terra" continua sendo muito grande.
"Quando acontecem quebras na sua distribuição as pessoas sempre perguntam quando é que voltamos a ter Yogurel e o porquê da sua ausência. E o mais curioso é que quando está disponível, apesar do prazo de validade ser muito curto, aproximadamente, 20 dias no frio, este esgota-se das prateleiras antes mesmo dessa data", assegura José Pedro, algo que foi confirmado por alguns dos supermercados que fazem a venda desse artigo abordados por A NAÇÃO.
Entretanto, este período de abstenção da Yogurel em São Vicente poderá estar a chegar ao fim. Isso se se confirmar a informação da STM (Sociedade de Transportes Marítimos), detentora do N/M "Tarrafal", de que o navio iria retomar as suas viagens ontem, quarta-feira, com o roteiro habitual São Vicente/São Nicolau/Santiago.
MERCADO MAL EXPLORADO
São Vicente, como a segunda ilha mais populosa do país, "é muito importante para a expansão de qualquer negócio", confessa a sócia-gerente da Prolact na Praia, Maria Fernanda Lopes.
Essa empresária não especifica qual é o volume de negócios em São Vicente, mas afirma-se ciente de que esse mercado está a ser mal explorado pela sua empresa. "Em Santiago já cobrimos a ilha em 100%, mas em São Vicente estamos a ser afectados pela falta de transporte regular. Isso até pode fazer com que venhamos a perder a dimensão nacional", afirma Maria Fernanda, para quem, além de São Vicente, a ideia é fazer chegar os produtos da Yogurel às outras ilhas de Barlavento.
No entanto, de acordo com a gerente, uma outra opção, além do "Tarrafal", é a esperança de que o "Liberdadi", o segundo catamaran da Fast Ferry, entre em funcionamento brevemente. "A pensar nisso, já estabelecemos contactos com a Fast Ferry, no sentido criar condições para que possamos levar e manter os nossos produtos em São Vicente", conclui.
Uma outra decisão, segundo Maria Fernanda, passa pelo aumento da unidade fabril da Prolact na Praia, por forma a responder à procura dos seus produtos. Contas feitas, segundo essa empresária, é preferível tal opção a ter que instalar uma fábrica em São Vicente, por exemplo.

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