Pepinos-do-mar exportados ilegalmente de Cabo Verde podem reduzir doenças cardiovasculares

O estudo publicado recentemente pelo Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve, demonstra que o consumo de pepinos-do-mar, invertebrados da família das estrelas-do-mar, pode contribuir para a redução de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios. Segundo a investigadora Luísa Custódio disse à Lusa, as cinco espécies estudadas "contêm um baixo teor de gordura e um elevado teor proteico e a fração lipídica (gorduras) é essencialmente composta por ácidos gordos polinsaturados, os quais se encontram associados a numerosos benefícios em termos de saúde, como redução da incidência de doenças cardiovasculares".

 

O estudo do CCMAR arrancou no início deste ano com o objetivo de perceber se o consumo de determinadas espécies de pepinos-do-mar pode ser benéfico para a saúde humana e se aquelas espécies têm actividades biológicas relevantes.

 

Usados na alimentação e tratamentos medicinais, com origem na Ásia onde os pepinos-do-mar foram sobre-explorados, estão agora a serem alvos de uma grande procura para novos mercados em outros continentes. Por serem facilmente capturados na maré baixa, os investigadores temem um aumento excessivo da sua captura.

Em Cabo Verde, o A NAÇÃO já tinha alertado que um grupo de japoneses pode estar por trás da exploração “ilegal” de búzios e pepinos do mar, tratados de forma artesanal na localidade de São Pedro, na ilha de São Vicente. A história ganha contornos de polémica e mistério já que ninguém tem licença para esse tipo de actividade, o processamento do produto não respeita as regras mínimas de salubridade, tão-pouco se sabe a quantidade e como os pepinos secos, cujo um quilo custará cerca de 40 mil escudos no mercado asiático, saem do país.

Na verdade, de uma hora para hora o pepino passou de uma espécie desprezada pelos pescadores cabo-verdianos para um produto altamente valorizado na comunidade de São Pedro. Diante do assédio de operadores estrangeiros, os mergulhadores atiram-se à cata dessa “nova moeda”, mulheres e jovens passaram a ganhar dinheiro com o tratamento do produto e mesmo pessoas ligadas à associação dos pescadores começaram a tirar proveito desse negócio. Por isso também quase ninguém em São Pedro aceita a ideia de que “essa mina de ouro” seja pura e simplesmente fechada.


 

  • Anúncios & Comunicados