Insegurança no Liceu “Amílcar Cabral” preocupa director

A falta de segurança e a inexistência de espaço para a prática de educação física e a venda de bebidas alcoólicas nas imediações do Liceu Amílcar Cabral, em Santa Catarina, preocupam o director daquele estabelecimento de ensino. João Pedro Semedo pede a intervenção urgente do Ministério de Educação ainda antes do arranque do próximo ano lectivo.

Segundo o director do Liceu “Amílcar Cabral”, umas das maiores preocupações existentes em relação ao referido estabelecimento de ensino é a falta de segurança, sobretudo à noite. “Estamos perante uma situação em que a direcção da escola pode ir para casa, de um momento para outro ser chamada por situações de roubo, ou de manhã cedo, ao chegar, ser confrontada com situações do género”, afirma João Pedro Semedo.

Conforme refere, diante dos desafios actuais, o actual sistema de segurança no Liceu Amílcar Cabral, a cargo de um corpo de velhos guardas, já não garante o nível de segurança que se requer, apesar de reconhecer que o referido efectivo procura dar o seu melhor.

“Temos guardas com 20 a 30 anos de serviço, e que por causa da idade já não reúnem condições físicas nem psicológicas para garantir a segurança do liceu devido à sua dimensão. Para além disso, são pessoas que não possuem formação para o efeito, e muitas vezes não sabemos em que estado que chegam ao posto de serviço”, desabafa Semedo.

O director do Liceu salienta que o assunto já é do conhecimento do Ministério de Educação e Desporto, daí esperar que seja feito um investimento adicional para revolver o problema o mais depressa possível. “Em caso de assalto e roubo, todos os investimentos em equipamentos feitos nos últimos anos podem se perder. Mais também é preciso fazer alguns reajustes a nível de segurança para garantir uma maior confiança nos investimentos a serem feitos nos próximos tempos”, argumenta João Semedo.

FALTA DE ESPAÇO PARA EDUCAÇÃO FÍSICA

Uma outra dificuldade, segundo o responsável do liceu de Assomada, é a insuficiência de espaço adequado para a prática de educação física. “Temos uma escola com aproximadamente 4500 alunos, apenas temos uma placa desportiva e com exigência de educação física em todos os níveis de ensino. Apesar da Câmara Municipal e outras instituições no concelho nos terem cedido alguns espaços, isso tem sido insuficiente. No entanto, temos escolas em outros concelhos com apenas com alunos, com duas placas desportivas, e uma até coberta”.

Segundo Semedo, a placa antiga que fica situada ao lado do liceu está com dias contados. “A Câmara Municipal alega que o espaço pertence a um privado e que a qualquer momento o proprietário pode aparecer para construir a sua casa”.

APELO

Conforme o responsável do Liceu, a Direcção já apelou ao Ministério no sentido de analisar a situação e ver a possibilidade de comprar o espaço junto da Câmara ou do proprietário ou ainda ver a possibilidade de a Câmara ceder o proprietário um local alternativo para construir a sua residência.

“A nossa proposta é ampliar o espaço e redefinir o muro de protecção da escola, fazendo com que o espaço passe para dentro do cercado da escola. Estamos numa situação delicada porque no dia em que a Câmara e a Aldeia Infantil SOS resolveram não disponibilizar os espaços ficaremos com milhares de alunos sem a prática de educação física”.

FACTORES PERTURBANTES

A venda de produtos alimentícios e bebidas alcoólicas nas proximidades do liceu também é uma outra grande preocupação do director do liceu. Conforme diz, apesar de ter enviado uma nota ao Presidente da Câmara, ao Presidente da Assembleia Municipal, ao Comandante da Polícia e a Ministra de Educação e Desportos denunciando a tal situação, nada foi feito até então.

“A nossa preocupação com a saúde dos alunos e o seu bem-estar e da segurança da escola não está ser levada em devida conta por quem de direito. Durante o ano lectivo, temos um ambiente pesado à volta da escola, com presença permanente de pessoas que não têm nada a ver com a escola”.

CAPTAÇÃO DE ÁGUA

Segundo João Pedro Semedo, um Liceu com a dimensão do “Amílcar Cabral” e com consumo elevado de água requer que sejam construídas cisternas para aproveitar a água da chuva. “Se formos ver, o gasto médio de água para quatro mil alunos é extraordinário, isso tendo em conta que vivemos num concelho onde, às vezes, falta água até para beber. A Câmara, às vezes, tem problema com os carros para transporte de água; já chegámos várias vezes na eminência de fecharmos as casas de banhos por falta de água. E durante o período de chuvas a quantidade de água que se perde aqui é um absurdo”, lamenta Semedo.

Com o aproximar do novo ano lectivo, Semedo espera ver os problemas apontados resolvidos o mais breve possível, de preferência, antes da nova temporada escolar.

Ciente das suas próprias responsabilidades, de acordo com João Pedro Semedo, a Direcção do Liceu “Amílcar Cabral” já dispõe de um Projecto para o qual está à procura de financiamento.


 

  • Anúncios & Comunicados