Selecção: Guy Ramos, cimento da família cabo-verdiana
- Criado em 12-05-23
"A organização está bem melhor que há três anos e estamos crescendo como grupo e como atletas", avalia o jogador do Waalwijk, clube holandês recentemente derrotado nos mata-matas para a UEFA Europa League pelo Vitesse Arnhem de Mike Havenaar, atacante da seleção japonesa. "Agora temos mais jogadores em bons campeonatos da Europa e, naturalmente, isso nos deixa mais competitivos. Estamos no bom caminho para finalmente jogarmos uma competição de ponta."
Embora tenha ficado no banco por ocasião da goleada de 4 a 0 contra Madagáscar na primeira rodada das eliminatórias para a Copa Africana de Nações 2013, Ramos é testemunha privilegiada da ascensão de Cabo Verde, actual 76º classificado no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. UMA CHANCE ÚNICA "Nas últimas três campanhas classificatórias ficamos no caminho por apenas alguns pontos, nos faltou um pouco de sorte", explica o filho de imigrantes nascido em Roterdão, onde existe uma expressiva comunidade cabo-verdiana. "Hoje temos qualidade e sei que isso vai acabar dando frutos. Temos diante de nós uma chance única de irmos à CAN e precisamos aproveitar a oportunidade. Raras vezes será possível se classificar tão rapidamente para a competição e precisamos tirar vantagem disso." Na sua temporada de estreia na Eredivisie, após quatro anos na segunda divisão holandesa, Ramos contribuiu para que o time se mantivesse na elite e disputou 29 partidas. O balanço é satisfatório e, de acordo com o defesa, corresponde aos progressos dos companheiros de selecção. "Até pouco tempo atrás, ainda tínhamos atletas amadores na equipe nacional", conta. "Isso acabou. Agora temos mais grandes nomes e isso puxa todo mundo para cima. A selecção chega a virar um trampolim, é a oportunidade de brilhar no nível internacional", explica o jogador, que actualmente está contundido e não foi convocado para os dois compromissos de Junho pelas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. SONHAR É PRECISO Com concentração que aconteceu esta quarta-feira, 23 de Maio, o técnico Lúcio Antunes terá pouco mais de uma semana para preparar o elenco para os importantes jogos contra Serra Leoa, fora, e Tunísia em casa. Mais uma vez, os capitães Lito e Nando — descritos por Ramos como "os líderes de um grupo que os respeita imensamente" — serão as referências de um plantel ainda em jovem e em fase de aprendizado. "Vamos saber melhor depois dessas duas partidas", comenta o futebolista. "Se ganharmos, teremos largado muito bem." Agora, é uma família unida e confiante que enfrentará as grandes forças do futebol africano a caminho do Brasil. "O grupo que herdamos permite que sonhemos", justifica Ramos, antes de desenvolver as razões do seu optimismo. "Em casa somos realmente sólidos, então é longe que vamos precisar buscar uma classificação na qual acreditamos. O time está bem montado, evoluímos tacticamente e lutamos uns pelos outros, além de estarmos fazendo os esforços defensivos necessários. São sinais que não enganam", conclui. FIFA.COM
Vinda do cabo-verdiano Guy Ramos, a expressão "família do futebol" faz todo sentido. Quando ele descreve o convívio na selecção, a serenidade no tom de voz do defesa não deixa margem a dúvidas. "Convivemos tão bem que, na hora de ir embora, todos ficam realmente tristes", descreve ele em entrevista ao FIFA.com. E o segredo da evolução de Cabo Verde pode estar justamente nesse espírito de união e camaradagem de uma equipa que nunca esteve tão perto de se classificar a um torneio internacional.

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