Pobre Pátria Amada

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”

Rui Barbosa

O aprendizado das emoções desde a mais tenra idade define o grau de inteligência emocional de uma pessoa e de um povo. Quanto mais afinado for a inteligência emocional de um povo mais chances de uma sociedade ser próspera e grande. Tem a ver com carácter. Tem a ver com respeito. Tem a ver com solidariedade. Tem a ver com a capacidade de se colocar no lugar do outro. Tem a ver com respeitar a liberdade do outro. Em respeitar a dignidade individual de cada pessoa. Ter ou não ter estas aptidões faz toda diferença numa sociedade. Não tê-los faz com que tudo seja também mais doloroso.

A nossa pobreza não tem nada a ver com a falta de recursos naturais. Não é a ausência de bens materiais que torna um país pobre. Nossa pobreza deve-se à nossa miséria espiritual. Somos pobres porque explorámos ao máximo a miséria humana para fins imediatistas. Somos pobres porque não valorizamos a coragem, a liberdade e a autonomia. Valorizamos antes a covardia, a mediocridade, a hipocrisia. Somos pobres porque não valorizamos a competência e o mérito. Valorizamos antes o bajulador, o puxa-saco, o lambe botas, o rasga seda, o preferido, ao invés do melhor.

A Nação está enferma. Valorizamos o oco e o superficial ao invés do conteúdo e da profundidade. Por isso, só há espaço para os oportunistas. Porque será que uns brilham e ocupam posição de destaque e outros com talento e melhores capacitados são ocultados? Porque excelência aqui é ainda um conceito restrito ao diccionário. Tudo é de cunho partidário, logo os destinatários já estão pré determinados.

Esta visão míope e imediatista que deturpa a realidade continua a impedir o crescimento sustentável da Nação e por isso não damos o grande salto.

Toda a Nação grande tem seus fundamentos baseados em pilares estratégicos sólidos e que constituem a verdadeira riqueza e grandeza de um povo: Família, Dignidade, Respeito, Trabalho Duro e Persistente, Apreço Pela Moralidade Pública, Valorização da Ética e da Transparência nas esferas que moldam a vida social. São estes os eixos estratégicos de desenvolvimento e de transformação de uma Nação. São estes os pilares que afirmam o propósito de um povo, seu objectivo no Mundo e sua identidade.

Enquanto a Ética continuar a ser um conceito circunstancial entre nós vamos continuar atrasados. Ela deve primar o comportamento de quem quer que seja em todos os momentos. Principalmente naqueles momentos mais difíceis.

A democracia tem por princípio principal a liberdade. Mas também ela nasceu com o objectivo de busca permanente do mérito pessoal e da virtude dos que governam e dos que são governados.
Este país clama por seriedade. O povo precisa de exemplos de boa conduta e quer eficiência na resolução de problemas que persistem há anos.

Todos aqueles que exercem poder ou posição de mando neste País deveriam ter como bússola as sábias palavras de Confúcio (551-479 a.C.): “Se um Homem consegue dirigir com retidão sua própria vida, as tarefas de governo não devem ser um problema para ele. Se ele não consegue dirigir sua própria vida com retidão, como pode dirigir outros com retidão?”

Roselma Évora


 

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