Kim Alves: Músicos ganharam mais maturidade nos dias de hoje

Hoje em dia discute-se muito as novas tendências e sonoridades na música cabo-verdiana. A entrada do rap, hip hop, de forma mais afirmativa, acontece a partir de 2000, mas desde 1950 há registos de outros ritmos em Cabo Verde, como valsa, merengue, tango, rebita, martinica, logo depois, o reggae, zouk. Hoje em dia, com o amadurecimento dos artistas e as novas tecnologias, deu-se lugar a novas fusões.

As ilhas de Cabo Verde, conhecidas pela sua morabeza, cultura, há muitos anos que é influenciada pelo estrangeiro, de várias formas, e na música não foi diferente. Já nos anos 50, de acordo com o produtor musical Kim Alves, os ritmos da América do Sul eram fortemente tocados nas ilhas. “Essas épocas o que estava na moda era valsa e os compositores bebiam neste estilo”. Depois da febre da valsa, chegou o tango, “Cesária, com um disco que gravou na rádio, enquanto cantava morna, os músicos tocavam tango. Depois disso veio o Tchátchátchá, Merengue, Rebita. O grupo Voz de Cabo Verde gravou disco ao ritmo de Merengue e Rebita. Depois veio Compa, chamada de Martinica que tinha muito contratempo”, afirma Kim.

O que destacava esta época musical vivida da história recente da música era a “imaturidade” dos músicos. “Na época que entrou valsa, era tocada como vinha do estrangeiro, sem misturas nem adaptações ao som crioulo”, confirma Alves.

Com a entrada do reggae, em 1970, primeiro por São Vicente, e só depois Santiago, os músicos começaram a cantá-lo em crioulo, mas o ritmo continuou o mesmo. Foram se passando os anos, as tecnologias dando os primeiros passos em Cabo Verde a tornar tudo mais perto, entrou no gosto do cabo-verdiano o zouk, hip hop, rap, r&b, e mais recentemente o disco e house music, como formas cantadas.

Esses ritmos todos, usados pelos músicos de Cabo Verde para se exprimirem só veio confirmar que este arquipélago sempre viveu sobre influências musicais de outros países, claro que sempre fazendo o tradicional. A morna, a coladeira, o finason, o funaná, a mazurka, no entanto eram mais cantadas e ouvidas nas rádios.

ÉPOCA DE FUSÕES

O que se verifica hoje em dia, de acordo com Kim Alves, é o amadurecimento artístico dos músicos cabo-verdianos. “Cabo Verde sempre teve influências, o exemplo é o próprio cabo-verdiano que é resultado de uma mistura, são coisas que existe em nós mesmos, por isso, assimilamo-las rapidamente”, defende.

Kim Alves acredita que as novas tecnologias e a transformação no mundo numa “Aldeia Global”, onde todos estão mais perto, acabaram por facilitar as coisas e as influências inevitáveis. Afinal, sempre foi assim. Por isso, quando escuta pessoas que viveram antes da entrada no século XXI, a era das tecnologias, falarem que os jovens estão a estragar a música de Cabo Verde, se calhar, se todas as tecnologias existentes hoje, fossem transportadas para o passado “fariam exactamente a mesma coisa”, afirma.

Com o amadurecimento identificado por Kim Alves, é momento de se aproveitar tudo o que se aprendeu para enriquecer a música cabo-verdiana. Como produtor de vários artistas, principalmente estrangeiros, Kim consegue observar, mais rapidamente esta mudança e mostra aos seus “pupilos” o melhor caminho a seguir.

“Antigamente os músicos tocavam os estilos importados, sem fusão, sem mistura, mas hoje conseguimos misturar e fazer fusão que dá um gosto”, conserta.

Alves acredita que isto deve-se à abertura que os músicos e também o público têm hoje em dia. “Temos mais olho aberto na música e os cabo-verdianos já começaram a aprender a ver, a ouvir, não é qualquer música que é aceite na sociedade, tem que ser qualidade”.


 

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