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Mário Lúcio garante a oficialização do crioulo ainda em 2012

Num discurso feito em crioulo, o Ministro da Cultura, Mário Lúcio, garantiu que o crioulo poderá ser oficializado ainda este ano.

"No plano de actividades do Ministério da Cultura a proposta de oficialização do crioulo é para 2012, prevemos um trabalho técnico prévio para reunir consensos e depois o parlamento fará a avaliação e alteração constitucional", afirma o governante acrescentando que será criado um gabinete para a língua que se ocupará da pesquisa, oficialização, fiscalização e outras formas de preservação, como também de uma Comissão Nacional para a Língua composta por pesquisadores, linguistas, artistas e especialistas cabo-verdianos e estrangeiros.

Essa informação foi avançada à imprensa na manhã desta terça-feira, 21, no Centro Cultural do Mindelo, onde o ministro aproveitou o dia de comemoração da língua materna para dissertar sobre os meandros que rondam a oficialização do crioulo.

"Nenhuma terra ou nação pode ser completamente independente se não valorizar a sua língua se não coloca-la na escola e não fazer uma escola da sua língua", assegura Lúcio abordando, também a polémica em torno de que variante do crioulo a oficializar.

"Sabemos que quando falamos em crioulo dividimos as nossas riquezas, mas quando falamos de crioulo dividimo-nos", afirma.

Nesse sentido esse governante defende que nenhuma variante de Santo Antão a Brava deve ser excluída e que nenhuma pode ser imposta.

"O plurilinguismo é um factor de riqueza e serve para acelerar o cumprimento de um dos objectivos do Milénio, que é a educação para todos. As pessoas ao falarem na língua materna nas escolas, isso permite promover a igualdade e inclusão social" afirma o ministro que acredita que a solução para Cabo Verde é a criação de uma nova língua a ser escrita.

Mário Lúcio assevera que o ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-verdiano) não é a solução para a oficialização do crioulo.

" Propostas para escrita do crioulo tem evoluído ao longo do tempo e o ALUPEC não é toda a língua, é apenas um instrumento de padronização. Apesar de achar que devemos preservar as bases que existem, há que haver um processo contínuo de participação e discussão que levará a um consenso", concluiu.

Letícia Neves

 

 

 

 

   

 

 


 

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