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Festa do Rei Momo na Praia: grupos oficiais quase sem apoios

Os grupos carnavalescos oficiais da cidade da Praia estão a afinar os últimos passos, a confeccionar as últimas roupas, a pintar os andores para que daqui a cinco dias, 21 de Fevereiro, esteja tudo a postos para o desfile oficial da festa do Rei Momo. Mas a falta de apoio condiciona ainda os trabalhos.

Este ano, particularmente, alguns grupos mostram-se descontentes com o apoio do Ministério da Cultura (MC) aos grupos carnavalescos apenas para três ilhas do Barlavento, São Vicente, Santo Antão e São Nicolau, enquanto outros reconhecem que, afinal, a culpa não é de todo daquele ministério.

José "Breu" Gomes, indignado com o ministro Mário Lúcio Sousa, considera um descaso o que se está a fazer com o carnaval da Praia. "O mais grave é quando o apelidam de iniciativa avulsa, que não enriquece a economia da ilha", diz indignado.

Mas o presidente do Intervila, Francisco Carvalho, comenta que está a haver interpretações erradas da posição do MC por um jornal da praça. " O Ministério da Cultura disse-nos que está disposto a ajudar-nos com materiais, e não financeiramente, só é preciso fazer requisição. O que estão a fazer este ano é melhor que nos outros anos", defende Carvalho.

Na verdade, segundo aquele folião, querendo apostar numa melhor qualidade no carnaval em Cabo Verde, o MC este ano resolveu que todas as câmaras deveriam apresentar projectos, para que assim pudesse, da melhor forma possível, apoiar cada um. "Nós não fomos informados pela câmara desse pormenor", acrescenta.

FALTA DE APOIO CONDICIONA TRABALHOS

Mesmo assim, para aqueles dois grupos que já têm 23 anos, a falta de apoio das empresas locais condiciona em muito o trabalho que se faz para o carnaval na Praia. "Não obtivemos nenhum apoio nem sequer uma resposta negativa. Esse ano apostamos até em publicidade de rodapé na televisão com número da nossa conta", afirmou Carvalho.

Enquanto isso, "Breu" espera que se faça uma política "muito mais pensada" sobre o carnaval da Praia, que reúne todos os anos milhares de pessoas na Avenida "Cidade Lisboa". Como apoio financeiro contam com 225 contos da Câmara Municipal da Praia (CMP) que cada grupo gere como pode para que no dia 21 nada saia errado.

JOVENS DAS ZONAS ENVOLVIDOS

O tempo em que se prepara o carnaval, na cidade da Praia, serve de pretexto para os organizadores chamarem os jovens a uma causa nobre, em vez de estarem na rua em actos de violência, por exemplo. Breu diz que se houvesse mais apoios e envolvimento, muitos dos jovens, a começar pelos thugs, teriam mais força para participar neste tipo de iniciativa.

"No nosso grupo há jovens de todos os bairros. Muitos que aqui estão vivem na delinquência, mas, por estes dias, estão ocupados com o carnaval e não pensam em outra coisa. Isto não seria motivo suficiente para outras pessoas nos apoiarem?", questiona "Breu".

Carvalho também vai na mesma linha de pensamento, mas diz que as empresas a quem pede apoios pensam que quem trabalha neste tipo de eventos são "um bando de desocupados" que não fazem nada na vida. "Temos aqui estudantes, licenciados, mestrados, funcionários. Para eles isso é um trabalho a sério", garante.

QUASE TUDO A POSTOS

O Vindos d’África tem quatro costureiros, quatro operários na construção de andores, tirando o pessoal da organização que ajuda em tudo e mais alguma coisa, além de batucadores. Vai colocar cerca de 300 figurantes na rua, três alas e três andores. O tema, segundo "Breu", não poderia ser melhor, "O mundo é uma fantasia", não adiantando muitos detalhes pois quer que seja uma surpresa. "Mas vamos levar uma mensagem de paz para os jovens".

Já o Intervila quer colocar na Avenida cerca de 500 pessoas divididas em oito alas e três andores. O tema será "Emigração". Carvalho diz que os trabalhos estão a correr bem, na medida do possível e que esperam os resultados com as maiores expectativas. "Pontualidade", algo que falta a muitos grupos ao longo dos desfiles será para o Intervila, "uma questão muito importante e que tem de ser cumprida".

A CMP disponibilizou uma bailarina, Aline Valentine, para dar alguns toques sobre a movimentação dos corpos aos grupos carnavalescos, "uma iniciativa boa por parte da edilidade", afirmou Breu.

O grupo da Achada Grande também está a afinar os últimos detalhes para que terça-feira, 21, todos estejam a sambar na avenida.

 

 

 


 

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