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Liceu do Tarrafal independente... mas incompleto

A Escola Secundária do Tarrafal de São Nicolau vai funcionar este ano independente do Liceu “Baltasar Lopes da Silva”, da Ribeira Brava, do qual era anexo e vai ser chamada de “Pedro Corsino de Azevedo”, em homenagem a esse poeta filho da ilha.

No entanto, apesar deste passo em frente, não foram ainda criadas as condições para a implementação efectiva do terceiro ciclo. Faltam ainda as áreas de económico-social e ciências e tecnologia.

Ainda hoje, dos alunos que terminam o 10º ano, poucos são os que têm condições para prosseguirem na área das ciências e tecnologia, ficando a escola e os professores sem opções de trabalho. Os poucos alunos que querem ingressar nas duas áreas em falta são obrigados a deslocarem-se para Ribeira Brava e mesmo para São Vicente.

“A Câmara Municipal injecta 20 porcento do fundo municipal na educação. Montante que poderia ser aproveitado em outros projectos caso houvesse condições de permanecerem no Tarrafal”, afirma o edil António Soares.

As condições logísticas apresentadas pelo estabelecimento não motivam os alunos a permanecerem na escola. “A biblioteca é muito fraca e precisa de mais livros de pesquisa. Só há histórias de aventura. Não temos cantina, nem placa desportiva, a sala de informática funciona à rasca e sem internet”, reclama Dério Brito, aluno do 10º ano.

Devido à falta de opção de lazer, durante as folgas, os alunos vagueiam pela cidade e muitos deles nem voltam à escola durante o dia. Daí as elevadas taxas de reprovação todos os anos, principalmente, no sétimo ano.

Para quando o novo Liceu?

Já faz tempo que os dois municípios da ilha reclamam por um liceu com condições. São poucos os alunos que chegam a concluir o secundário no município. Grande parte reprova mais que uma vez e fica pelo caminho por desmotivação. Os mais afortunados deixam a escola enquanto é tempo e migram para as outras ilhas à procura de outras oportunidades.

Da mesma forma que os alunos reclamam da escola, os pais também se queixam do facto de os alunos estarem a deambular pela ruas no horário em que supostamente deveriam estar nas aulas.

“Já é tempo de apresentarem uma infra-estrutura educacional para a ilha, com condições iguais ou melhor à das outras ilhas. A que temos nem o pátio tem pavimento. A toda a hora vê-se grupinho de alunos a vaguear pelas ruas ou então sentados nos bares a jogar Play station”, desabafa Deolinda Gomes, uma encarregada de educação.

O Ministério da Educação e Desportoe as empresas vencedoras do concurso já assinaram o contrato para execução da obra do novo liceu do Tarrafal. António Soares informa que as obras iniciam em Outubro próximo e que o liceu deverá entrar em funcionamento já no ano lectivo 2012/2013.

Ester Conceição


 

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