Ribeira da Barca desespera com lixeira municipal
- Criado em 11-08-28
A população da Ribeira da Barca reclama da existência do aterro sanitário improvisado pela Câmara Municipal de Santa Catarina naquela localidade de Santiago.
A braços com outros problemas de degradação ambiental, como a apanha de inertes que despovoaram as suas praias de areia, os moradores daquela outrora zona piscatória esperam e desesperam pelo fim da (mal) dita lixeira.
De acordo com testemunhos recolhidos no local por esta reportagem, o aterro prejudica o bem-estar das pessoas, quanto mais não seja porque o sítio escolhido para o aterro se encontra cada vez mais próximo das suas moradias. É que todo o lixo recolhido em Santa Catarina é para ali conduzido.
Até o Hospital Regional de Santiago Norte, ao que consta, manda para a Ribeira da Barca os seus resíduos, sem o devido tratamento. Teme-se inclusive a contaminação dos lençóis freáticos, dos quais é retirada a água para o consumo na zona.
O problema nem sequer é novo, deixam a entender os moradores da Ribeira da Barca. “Aqui a população já fez de tudo, até abaixo-assinado”, explica um morador.
Dá, um jovem que trabalha e estuda, desabafa: “O mau cheiro é insuportável. Há períodos em que o fumo ataca as pessoas, Ribeira da Barca fica às escuras, quando há funeral, temos obrigatoriamente de passar pela zona por ser o nosso único caminho. O odor é tremendo”.
AMEAÇA À SAÚDE PÚBLICA
Para este jovem, quem de direito “deve tomar medidas urgentes”, sob pena de comprometer ainda mais a saúde pública e ambiental da Ribeira da Barca. “Há animais que se alimentam do lixo, são abatidos e a carne vendida, sem inspecção médica”. Numa palavra, desabafa: “Estamos cansados e esta pouca-vergonha tem de acabar um dia. Que se procure outro local para o aterro sanitário!”, para apontar outras “zonas isoladas”, inabitadas e com espaço suficiente para um aterro sanitário com os requisitos necessários”.
Abordado por A NAÇÃO, o edil Francisco Tavares não se mostrou muito interessado em falar do assunto. No momento tinha outras prioridades, pelo que rapidamente foi dizendo que já se pronunciou várias vezes sobre a lixeira da Ribeira da Barca, não tendo por isso muito mais a acrescentar. “A Câmara Municipal tudo tem feito para responder às reclamações dos munícipes, mas não depende só de nós”, foi a fórmula utilizada pelo edil.
SEM DATA PARA RESOLUÇÃO
Na verdade, sem data para resolver a reclamação dos moradores da Ribeira da Barca, Francisco Tavares advoga que o saneamento público é um problema que está ser solucionado no quadro de uma política mais ampla e que passa pela implementação do Plano Director de Desenvolvimento de Santa Catarina.
Até lá, subentende-se, Ribeira da Barca vai continuar a ter que suportar o lixo, o fedor e outras consequências próprias de um “aterro” como o existente naquela localidade do interior de Santiago.
Samira Silva

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