Temos 610 visitantes e nenhum membro online

Operadores económicos lamentam falta de movimento

A generalidade dos operadores económicos de Santa Catarina (de Santiago), especialmente os dos sectores da restauração, hotelaria, construção civil, queixam-se do fraco ou nulo movimento do comércio no concelho. Também falam da falta de oportunidades de investimento e pouco de dinamismo na cidade de Assomada.
Segundo o empresário e presidente da Associação Comercial, Agrícola, Indústria e Serviços do Interior de Santiago (ACAISA), Fernando Pereira, o negócio em Santa Catarina “vai de mal a pior”. Para ele, o problema deve-se à crise internacional, mas também devido à falta de oportunidades e condições de superação adequada à actual conjuntura do País e do município.

De acordo com Pereira, os santa-catarinenses não têm hábito de frequentar restaurantes e a inexistência de turistas agrava o problema. “Para ultrapassar isso, é preciso uma forte parceria público/privada com os empresários locais e não só, o que permitirá à melhoria dos negócios e a criação de infra-estruturas e projectos que viabilizem as actividades turísticas no concelho”, sugere.
A valorização da tradicional feira das quartas-feiras e sábados, com a realização de uma feira anual agro-pecuária, segundo Pereira, poderia conferir à Assomada a função económico-cultural e, com isso, uma maior oportunidade de negócios.
Domingos Garcia, director do hotel Avenida, diz que desde os finais de 2010 que se verifica uma baixa na procura dos serviços de hotéis e restaurantes no município. Garcia associa esta diminuição à crise internacional, mas, também, à fraca divulgação das potencialidades do concelho. “O investimento no sector, sobretudo, na área restauração pelos emigrantes, tem complicado ainda mais a situação. Assomada, por ser uma cidade rural, poucas famílias frequentam restaurantes para jantares e convívios e a dinâmica cultural no concelho não ajuda”, lamenta Garcia.
A falta de atractivos no concelho também é apontada por Garcia como um dos entraves ao sector comercial. “O Cinema funciona esporadicamente, as praias de Rincão e Ribeira da Barca já foram totalmente destruídas devido à extracção de areia e não existe nadador-salvador nessas praias. Quando os turistas as frequentam, eles sentem-se inseguros”, nota. 
ALTERNATIVAS
A criação de roteiros turísticos, com atenção centrada no turismo de montanha, em localidades com vocação para turismo rural, como Tabugal, Rincão, Selada, Serra Malagueta e Boa Entrada, Montanhas dos Engenhos, Casa de Amílcar Cabral (em Achada Falcão), Ribeirão Manuel e Angra (Ribeira da Barca) são apontadas pelos empresários como oportunidades que devem ser aproveitadas e exploradas.
O edil local, Francisco Tavares, sustenta que o pouco movimento económico existe não apenas em Santa Catarina, mas em todo Santiago, devido à fraca promoção da ilha como destino turístico. “A divulgação das potencialidades de Santiago, em especial de Santa Catarina, deve ser feito pelo Governo, através da Cabo Verde Investimentos”, acrescenta.
SANEAMENTO
Segundo os empresários, o saneamento de Assomada é outro óbice na competitividade de Santa Catarina. O lixo, às vezes, na Assomada, chega a ficar acumulado por mais de dois dias, à frente de restaurantes e hotéis.
Sobre este aspecto, Tavares diz que os dois carros de recolha de lixo estão avariados há já alguns dias, o que tem dificultado a recolha. Mas há outros problemas. “Assomada é uma cidade rural, onde ainda perduram certas práticas que não ajudam ao saneamento urbano. Por exemplo, parte da terra é aproveitada para a agricultura, no fim, a palha e outros detritos ficam ao deus-dará”, avança Garcia.
No entanto, Tavares assegura que a Câmara Municipal está a accionar todos os meios possíveis para repor a normalidade, nomeadamente com a aquisição de mais viaturas de caixa aberta, que serão adaptadas para recolha de lixo porta-a-porta.
Silvino Monteiro

 


 

  • Anúncios & Comunicados

Capas dos Jornais A Nação