1ª noite do Gamboa 2013 fica aquém das expectativas
Depois de criadas inúmeras expectativas junto do público e dos próprios artistas acerca do novo formato do Gamboa 2013, a 1ª noite ficou muito aquém do esperado. Duas horas de atraso e as filas extensas para comprar bilhete e depois entrar no recinto também não abonaram a favor do espectáculo. Isto quando os bilhetes para um festival pago, onde se esperava pelo menos 50 mil pessoas, só foram postos à venda praticamente do...
TACV vai operar voos do Porto e Lisboa para a Solférias no Verão
Ao ter ganho as operações charter da Solférias à partida do Porto e de Lisboa para Cabo Verde os TACV vão fazer crescer de forma substancial a sua oferta à partida de Portugal neste Verão IATA, no que toca ao segmento de lazer, como sublinha ao Turisver.com o delegado da companhia em Portugal, Mário Almeida.
Teatro crioulo no Festival de Luanda
O III Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda – ELINGA 25 Anos –, em Angola, terá duas companhias teatrais de São Vicente.
São Vicente: Meandros do PCCS preocupam sindicatos
O Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), que entrou em vigor em Fevereiro último, está a preocupar os sindicatos em São Vicente. A maior das preocupações prende-se com a clarificação do diploma no que toca a professores, médicos, funcionários aduaneiros e outros segmentos do quadro privativo.
João Carvalho – Inspector-geral do Trabalho: 98 por cento dos acidentes de trabalho podem ser evitados
Apenas dois por cento (2%) dos acidentes de trabalho acontecem, em Cabo Verde, devido a causas naturais e a outros fenómenos difíceis de controlar, indicam os dados da Inspecção-Geral do Trabalho (IGT). Por outras palavras, 98% dos casos ocorrem ou por culpa dos trabalhadores ou dos empregadores. Um número muito exorbitante que as autoridades do sector pretendem reduzir.
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Cabo Verde mesti deputados e não arruaceiros
Depois de seis anos longe das lides parlamentares, eis que estou de volta para cumprir as minhas obrigações profissionais. Digo obrigação, pois, se dependesse apenas mim, não voltaria a pôr lá os pés.
Infelizmente, repito, por razões profissionais tenho de lá ir e ouvir coisas a que os meus ouvidos não estavam habituados nem gostariam de escutar. Acompanhar a discussão das matérias no Parlamento é um sacrifico grande, sobretudo da parte de quem é obrigado a estar lá, como se de um castigo se tratasse. Quem sabe!
À semelhança da maioria dos cabo-verdianos, eu, também, tinha deixado de acompanhar as sessões parlamentares que são transmitidas pela Rádio de Cabo Verde.
De quando em vez, ao comentar com os meus amigos algumas indecências protagonizadas por certos deputados no Parlamento, perguntavam-me: “tens a coragem de escutar aquelas gentes?”. Voltava para eles e respondia-lhes: “nem todos os que estão na nossa Casa Parlamentar são animalescos”. “Há deputados dignos desse nome”, replicava eu, acrescentando algo mais: “Não devemos ser injustos para com aqueles que se esforçam para dignificar o bom nome do Parlamento cabo-verdiano”.
Indubitavelmente, ser deputado significa exercer uma actividade nobre. A verdade é que nem todos estão preparados para desempenhar esta missão. As nossas vidas estão nas mãos deste grupo de 72 pessoas, entre homens e mulheres. Este último género ainda constitui uma minoria, infelizmente.
Creio que, caso o nosso Parlamento fosse constituído na sua maioria por mulheres, os cabo-verdianos não estariam hoje a assistir selvajarias e actos de indecência numa casa onde, muitas vezes, se decidem as nossas vidas. São os deputados que aprovam as leis mais importantes do país, a começar pela Constituição, a Lei-Mãe de todas as leis. Só a eles cabe, por exemplo, criar normas legislativas que poderiam penalizar de forma mais dura e exemplar os que cometem crimes como aquele que, recentemente, ocorreu em São Domingos e consistiu na violação, morte e ocultação do cadáver da jovem Carla Patrícia. Esta jovem não será esquecida tão cedo pelos seus pais e amigos. Cada vez que oiço alguém a falar do caso Carla Patrícia, de 21 anos, sinto arrepios no corpo.
Ainda falando da importância do deputado, é ele que aprova o Orçamento do Estado, um importante instrumento de gestão de qualquer governo.
Portanto, estamos a ver que o exercício de deputado é algo que requer um elevado sentido de responsabilidade. É, justamente, este traquejo que falta a alguns parlamentares cabo-verdianos.
Aquele a quem o povo confiou o seu mandato, deve exercê-lo com competência e, sobretudo, alto espírito de responsabilidade.
A meu ver, os cabo-verdianos se orgulham muito pouco do seu deputado. Costuma-se dizer que cada povo tem o que merece. No nosso caso, penso que merecíamos um pouco mais no que concerne àqueles que nos representam na Casa Parlamentar cabo-verdiana.
Quando se ouvem determinados deputados, fica-se com a sensação de que são analfabetos de mãe e pai, isto é, ignorantes.
Paradoxalmente, entre estes analfabetos de mãe e pai encontramos pessoas detentoras de diplomas superiores, pelo menos de nome. Estes títulos podem não valer um caracol. Talvez seja esta a razão por que alguns optaram pela via mais fácil de ganhar o pão: a política. Não custa nada sentar-se debaixo do ar condicionado, quando existe, e pronto para insultar e atirar as suas farpas contra o adversário. Não é isto que é ser um bom deputado.
Ser malcriado, incivilizado e arruaceiro não significa, a meu ver, ser um bom parlamentar. Será, sim, um bom par(a) lamentar.
Entretanto, entendemos que não é justo meter todos os nossos deputados no mesmo saco. Por isso, o nosso aplauso para aqueles que, com a sua abnegação e esforços, contribuem para a dignificação do Parlamento cabo-verdiano.
O primeiro dia do início da última sessão da presente legislatura ficou manchado por um incidente muito grave. Este episódio opôs o deputado Mário Fernandes (MpD) ao líder da bancada do PAICV, Rui Semedo. Valeu o discernimento e a serenidade deste último que evitou que uma sala de sessões parlamentares se transformasse num ringue de pugilatos.
Depois de 20 anos de democracia, penso que já era tempo de os nossos eleitos da Nação adquirirem mais maturidade e saber lidar com os seus adversários políticos.
As cenas rabolescas não engrandecem o Parlamento cabo-verdiano. Pelo contrário, tornam-no mais pobre em termos de confrontação de ideias.
Espero, sinceramente, que os partidos políticos, ao constituírem as suas listas de candidatos a deputados para a próxima legislatura, tenham em devida conta a opinião dos cabo-verdianos em relação ao comportamento de determinados parlamentares ao longo desses anos. A maioria deixou de acompanhar, pela rádio, as sessões parlamentares. E justificam: “N’ka ten tempo pan obi kes malcriado” (Não tenho tempo para ouvir aqueles malcriados). É triste ouvir isso, não é?
Nós, os cabo-verdianos, merecemos deputados com perfil.
Luís Carvalho
PS: Senhor Presidente, por favor mande resolver o problema do sistema de ar condicionado na sala de sessões, onde podem estar ao mesmo tempo mais de 100 pessoas. O calor é sufocante e as cabines de imprensa não escapam a este ambiente impróprio para um ser humano. Há falta de verba ou ausência de vontade para resolver este problema?

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