Terreno em São Vicente: Tribunal condena 4 pessoas mas suspende prisão
O juiz Antero Tavares condenou Victor Estrela, Lenine Dias, Evandro Livramento e Auriza Estrela a penas de prisão que variam de dois anos e meio a cinco anos, assim como a devolver dinheiro aos cofres do Município de São Vicente, no caso de venda ilegal de um terreno situado no Calhau. Entretanto o juiz entendeu suspender a execução das penas de prisão.
São Vicente: Táxis ficam mais caros
Andar de táxi está mais caro em São Vicente. As tarifas aumentaram cerca de 10 por cento em quase todos os percursos urbanos e inter-urbanos, segundo a nova tabela aprovada na Assembleia Municipal de São Vicente. Do centro da cidade do Mindelo para os subúrbios, a viagem passou de 150$00 para 170$00 durante o dia e de 180$00 para 200$00 à noite.
Lúcio convoca 23 jogadores para os compromissos do mês de Junho
O regresso de Lito e as chamadas de Carlitos e Platini são as principais novidades na lista de convocados da Selecção Nacional de Futebol para os jogos com a Serra Leoa e Tunísia, enquadrados nas eliminatórias para o Mundial 2014, e, também, com o Madagáscar, este, referente à segunda mão da primeira eliminatória do CAN 2013.
Inflação influenciada em Cabo Verde pela produção agrícola
A inflação cabo-verdiana é fortemente influenciada pela produção agrícola, a evolução dos salários e a inércia resultante da fragilidade do sector produtivo, diz um estudo do Banco de Cabo Verde (BCV), publicado esta semana, na Cidade da Praia.
Destaques da edição 246 do Jornal A NAÇÃO
OPERAÇÃO "LANCHA VOADORA": SUPREMO AFUNDA VERÍSSIMO PINTO O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) acaba de confirmar a prisão preventiva de Veríssimo Pinto, no âmbito da operação "Lancha Voadora". Com isso, o antigo presidente da Bolsa de Valores continua a aguardar pelo seu julgamento em São Martinho. Para o STJ, são fortes os indícios de lavagem de capitais por parte daquele gestor, agindo este &q...
Revisão Constitucional! Não, Obrigado!
Nas últimas legislativas, um amigo tentou convencer-me a rever a decisão que tomei em 1996 de não mais ir às urnas. Mostrei-lhe então uma senhora que estava a vender bananas bem perto do lugar onde nos encontrávamos e disse-lhe: « -Seja qual for o resultado das eleições, esta senhora continuará aqui sentada a vender bananas». Sur¬preendido e talvez sem saber que dizer o meu amigo exclamou : « -Comunista !» E foi-se embora sem descobrir que não é bom mudar algo para que tudo fique na mesma.
É precisamente o que as três propostas de revisão constitucional fazem. Alteram algo para que tudo continue na mesma. E assim é porque nenhuma das propostas (PAICV, MPD, deputado Humberto Cardoso) conseguirá transformar o sistema em si mesmo. Estamos, pois, claramente perante a mudança necessária para que tudo continue na mesma.
Na verdade qualquer que seja a arquitectura jurídica que vier a ser consagrada com a nova revisão constitucional ou a configuração que se vier a dar ao Tribunal Supremo ou Constitucional, os cabo-verdianos continuarão a olhar para este órgão de soberania numa lógica aritmética 3/2 e os magistrados a fazer tudo para que os cabo-verdianos tenham razão de assim pensar. Não é pois duma revisão do articulado sobre os tribunais que pre¬cisamos mas sim duma profunda mudança no relacionamento que as instituições mantêm com os cidadãos.
De igual modo, qualquer que for a estrutura fiscal adoptada ou a maioria parlamentar necessária para a alterar, o trabalho continuará a ser incompreensivelmente penalizado, o Estado a cobrar mais do que aquilo que a lei lhe permite e à riqueza se continuará a distribuir rosas na esperança de que haverá mais empregos e menos casas de férias. Pior ainda, o político continuará a pensar que os cidadãos devem estar ao seu dispor. A ideia de retirar a protecção contra a arbitrariedade é manifestada na proposta de reduzir a maioria parlamentar necessária para fixação da proporção do rendimento que deve ser cobrado pelo estado sob forma de imposto e exprime o princípio de que é o cidadão, ou melhor o seu bolso que deve estar ao serviço do político e não este ao serviço do cidadão. No fundo, a proposta da alteração da maioria parlamentar necessária para alterar as leis da fiscalidade exprime uma grande falta de imaginação e sobretudo uma incapacidadede negociação.
Uma falta de imaginação e de estratégia que também são notórias na preocupação de alterar a data das presidenciais. Esta é, com efeito, uma proposta para resolver exclusi¬vamente as dificuldades dos políticos. E, para nossa desgraça, qualquer que vier a ser o prazo ou a data escolhida para as eleições presidenciais, o Presidente da República continuará a ser visto como Presidente de militantes e não de todos os cabo-verdianos e o Parlamento a ser controlado pelo Governo e não o contrário como assim o bom senso determina..
Pois é, depois da revisão constitucional nada na nossa vida mudará. Tudo continuará exactamente como dantes. Senão vejamos:
A nossa torneira continuará a matar-nos a sede apenas durante uma hora por dia, os nossos problemas de energia sem solução à vista, a distância económica entre Praia e Mindelo continuará a crescer enquanto a entre Mindelo e Sal Rei e entre Mindelo e Porto Inglês (Vila do Maio) continuará a diminuir, os mais de cento e vinte mil cabo-verdianos continuarão excluídos de toda participação nos ganhos de crescimento e a nossa agricul¬tura continuará desajustada à pressão do turismo. Estes são os verdadeiros problemas e importa mobilizar a sociedade para os resolver.
Não é pois de uma revisão constitucional pensada exclusivamente para resolver a falta de imaginação dos políticos que o país precisa. Cabo Verde precisa sim de um contrato social de novo tipo. Não de um novo contrato social mas sim de um novo tipo de contrato social.
Um contrato social de novo tipo que estabelece e regula uma nova forma de relaciona¬mento das instituições com o cidadão, que proíbe e inviabiliza escolhas políticas que conduzem famílias à miséria mas que deixam intacto o nível de bem-estar dos promotores destas políticas. Que torna obrigatória a implementação de medidas de compensação capazes de neutralizar totalmente os efeitos das políticas que diminuem a qualidade de vida das pessoas,
Como é possível que tais evidências escapem ao entendimento da elite cabo-verdiana. Elite?
Antonio Carlos Gomes
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